SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Mais da metade dos jogadores e dos dirigentes envolvidos com a Copa do Mundo de 2026 na América do Norte recebeu ao menos uma mensagem de caráter abusivo ao longo do torneio, que aconteceu entre 11 de junho e 19 de julho, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (9) pela Fifa (Federação Internacional do Futebol).
De acordo com a entidade máxima do futebol, foram analisadas mais de 17 milhões de publicações e comentários nas redes sociais relacionados ao Mundial. Desse total, 477 mil foram encaminhados para avaliação humana, e 240 mil foram confirmados como abusivos.
Além disso, o percentual de comentários abusivos classificados como racista aumento gradualmente ao longo da competição -foi de cerca de 11% durante a fase de grupos, e chegou à marca de 20% quando considerada também a fase eliminatória. Ameças de violência foram registradas em 14% dos casos.
Um total de 2.905 contas atingiu o patamar necessário para uma possível investigação criminal, das quais 786 foram encaminhadas às autoridades policiais para avaliação.
Dessas contas, constatou-se que 232 haviam publicado conteúdo extremamente grave e ameaçador, capaz de representar um risco real à segurança, e elas tiveram prioridade nas investigações.
“Precisamos nos unir para combater esse comportamento abominável, que causa sofrimento e afeta o bem-estar emocional”, afirmou o presidente da Fifa, Gianni Infantino.
“Reforçamos o compromisso da Fifa de proteger a comunidade do futebol contra o ódio on-line por meio de tecnologia otimizada, que combate não apenas conteúdo criado manualmente, mas também imagens geradas por IA”, acrescentou o dirigente.
Durante a Copa, a Fifa se valeu de seu braço chamado SPMPS (Serviço de Proteção nas Redes Sociais) para fazer a análise automática de 60,7 milhões de manifestações de usuários nas plataformas oficiais da entidade e nos canais das associações-membro participantes.
Desse total, 9,2 milhões de mensagens, equivalentes a 15% de todas as interações, foram bloqueadas antes de se tornarem visíveis ao público em geral.
O conteúdo filtrado pela ferramenta incluiu publicações de usuários identificadas como claramente fraudulentas -por apresentarem comportamento típico de robôs ou spam- ou prejudiciais.
Conforme a entidade, as conclusão do levantamento evidenciam “o impacto pessoal do abuso on-line sobre jogadores, treinadores, árbitros e outros representantes das equipes, assim como sobre seus familiares.”
A Fifa disse também ter adotado medidas para proteger os árbitros durante o Mundial de ataques cibernéticos. O SMPS interveio para defendê-los do doxing, prática que consiste em divulgar informações privadas e pessoais de alguém, incitando ataques de terceiros.
“Nosso objetivo é garantir que nossos árbitros possam se concentrar plenamente no que acontece em campo, sem se preocupar com o que está sendo publicado a respeito deles nas redes sociais”, afirmou o diretor de arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina.
“Os ataques direcionados aos árbitros na internet podem ser vistos por todos, inclusive por seus amigos e familiares. Ninguém merece sofrer abusos no local de trabalho -então por que deveríamos aceitá-los contra árbitros, treinadores e jogadores?”, acrescentou Collina.
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