Número foi levantado a partir do cruzamento de dados da Secretaria Municipal de Assistência Social e do CadÚnico, presentes na minuta do Plano Municipal de Atendimento à População em situação de rua. Prefeitura diz ter intensificado o acolhimeto, mas que “maior parte das pessoas abordadas opta por permanecer nas ruas”.
Com a possibilidade de registrar o dia mais frio de 2026 na próxima semana, Maringá precisa lidar com um problema que já se tornou rotineiro: a quantidade de pessoas em situação de rua. De acordo com o Sistema de Meteorologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a Cidade Canção pode ter termômetros na casa dos 2ºC na quarta-feira (24).
Embora a Prefeitura tenha intensificado as abordagens e conduções aos serviços de acolhimento, a estratégia barra no número de vagas. Atualmente, o município tem mais pessoas nas ruas do que locais para receber estas pessoas. Em números absolutos, são 220 vagas nas redes de acolhimento para 981 indivíduos em situação de rua. As informações foram extraídas de um cruzamento de dados da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) e do CadÚnico do Governo Federal, presentes na minuta do Plano Municipal de Atendimento à População em situação de rua. O Maringá Post teve acesso ao documento.
Na prática, é como se quatro pessoas sem moradia disputassem cada vaga assistencial. O Plano, em fase de elaboração, visa nortear as ações do Executivo para o próximo triênio em questão de acolhimento institucional. O documento é elaborado pelo Comitê Intersetorial da Política Municipal para a População em situação de rua (CIAMP-Rua).
O quantitativo de vagas também foi disponibilizado pela SAS em um resposta a um ofício, protocolado pelo CIAMP em março deste ano. Nas 220 vagas, o município considera como serviços de acolhimento 50 vagas existentes na Casa de Passagem Indígena coordenada pelo município e outras 50 da Casa de Passagem Indígena da Assindi, o que faz com que o número real de leitos seja ainda menor.
Instituição que oferta o maior quantitativo de vagas, o Albergue Santa Luzia de Marillac, na rua Fernão Dias, oferta diariamente 75 vagas de acolhimento provisório. No local, os acolhidos tem direito a banho, refeições e dormitório. Cada acolhido tem direito a 15 pernoites consecutivas e, após findado esse período, só pode retornar ao espaço após dois meses.
Conforme um contrato firmado entre o município e o Albergue em 2025, a Prefeitura paga por cada vaga de acolhimento R$ 32 por dia ou R$ 960 por mês.
No ofício respondido ao CIAMP, a Prefeitura de Maringá informou que o Orçamento vigente e o Plano Plurianual (PPA) 2026-2029 prevê a manutenção das vagas já existentes. O documento não cita possibilidade de ampliação das vagas. Sobre as abordagens, o Executivo afirmou ter à disposição uma equipe composta por 10 pessoas, divididas em quatro equipes com escala semanal e feriados.
A reportagem do Maringá Post entrou em contato com a Prefeitura para questionar sobre o tema. Por meio de nota, a administração municipal informou que “desde o ano passado, tem intensificado as abordagens sociais a pessoas em situação de rua, principalmente durante os períodos de baixas temperaturas. O trabalho envolve equipes que percorrem diferentes regiões da cidade para ofertar acolhimento, encaminhamentos para serviços de assistência social e de saúde, além da distribuição de cobertores (para os que recusam acolhimento)”.
Ainda segundo o município, “a disponibilidade de vagas não é o único fator que influencia o acolhimento. A maior parte das pessoas abordadas opta por permanecer nas ruas”. Conforme o Executivo, foram realizadas 826 abordagens nos últimos 45 dias, das quais apenas 15 pessoas teriam aceito encaminhamento. Leia a nota do Executivo na íntegra:
“A Secretaria de Assistência Social informa que, desde o ano passado, tem intensificado as abordagens sociais a pessoas em situação de rua, principalmente durante os períodos de baixas temperaturas. O trabalho envolve equipes que percorrem diferentes regiões da cidade para ofertar acolhimento, encaminhamentos para serviços de assistência social e de saúde, além da distribuição de cobertores (para os que recusam acolhimento).
É importante destacar que a disponibilidade de vagas não é o único fator que influencia o acolhimento. A maior parte das pessoas abordadas opta por permanecer nas ruas. De 1º de maio a 15 de junho (45 dias), foram realizadas 826 abordagens, alcançando 484 pessoas. Destas, apenas 15 aceitaram o encaminhamento para acolhimento. Além disso, foram distribuídos 601 cobertores. Para a Operação de Inverno deste ano, foram contratadas 60 vagas extras junto ao Albergue Santa Luiza de Marillac, ampliando a capacidade de acolhimento da rede.
Os dados da Operação Inverno de 2025 também demonstram a capacidade de atendimento da rede socioassistencial. Durante o período, o Albergue Santa Luiza de Marillac registrou taxa média de ocupação de 75%, indicando que houve disponibilidade de vagas ao longo da operação.
A Prefeitura reforça que as equipes realizam abordagens contínuas e oferecem acolhimento, orientação e encaminhamentos conforme a necessidade de cada pessoa. Quando há recusa do acolhimento, são adotadas outras medidas de proteção, como a entrega de cobertores e, quando necessário, o acionamento de serviços de saúde.
A Prefeitura reforça que o serviço de abordagem social funciona 24 horas por dia. A população pode comunicar situações de pessoas em vulnerabilidade pelo telefone e WhatsApp (44) 9 9103-5661.”
















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