Celebrando cinco anos de uma trajetória marcada pela dedicação e pelo refinamento técnico, a maringaense Carla Visintini consolida o seu nome no cenário nacional ao transformar a botânica brasileira em acessórios autorais de memória e significado. O trabalho da artesã e empreendedora parte da união entre o conhecimento botânico e a ourivesaria contemporânea, utilizando elementos naturais reais não apenas como inspiração, mas como a matéria-prima protagonista de cada criação.
A ideia de seguir esse caminho surgiu quando Carla observou a pétala de uma orquídea caída e enxergou a possibilidade de eternizar o que se perderia com o tempo, sintetizando o seu sentimento em uma máxima que guia a sua produção: “quando a natureza é tão bonita, fica difícil não querer eternizar”.
O início dessa jornada profissional deu-se durante o período da pandemia de Covid-19, quando Carla, sendo mãe de criança pequena, precisava parar de trabalhar fora de casa e procurava uma alternativa criativa. Sem experiência prévia no setor de semi-joias ou na área comercial, ela enfrentou o desafio de aprender do zero sobre banhos de metais, padrões de qualidade e técnicas de montagem.
O crescimento do seu trabalho alavancou-se com o interesse do público por uma arte tão singular e com parcerias estratégicas em Maringá, como a presença das suas criações no Espaço Florescer, do Sicredi Dex. Com a consolidação das vendas online, que representam a grande maioria dos seus atendimentos, Carla estruturou um espaço reservado na Zona 5 para receber clientes com hora marcada, realizar encontros intimistas e promover parcerias com outras empreendedoras locais.
No portfólio desenvolvido por Carla, os dois grandes campeões de preferência são as orquídeas e os ramos e grãos de café. A designer explica que a escolha das clientes ocorre principalmente pela forte ligação afetiva com a planta, ressaltando que “o meu público não é necessariamente composto por pessoas que compram joias ou semi-joias convencionais; o meu público é formado por pessoas que amam flores”. Enquanto a orquídea carrega uma memória afetiva marcante para as mulheres, o café evoca a ligação com a terra, com a tradição e com momentos especiais.
Metodologia
Para eternizar as espécies brasileiras, Carla domina duas metodologias distintas. A primeira é a aplicação da resina em flores e folhas previamente desidratadas, processo que preserva a cor e o formato do elemento natural. A segunda é a galvanoplastia, também conhecida como eletroformação, um processo técnico mais complexo e raro no país em que a planta ainda fresca recebe banhos químicos e camadas de cobre que revestem e petrificam a estrutura vegetal, copiando com precisão os seus veios, texturas e curvaturas originais antes do acabamento final em ouro ou prata.
Por utilizar matérias-primas colhidas diretamente da natureza, Carla garante que cada peça produzida carrega um caráter estritamente único. Embora essa particularidade exija um esforço minucioso na seleção de elementos semelhantes para montar pares de brincos, por exemplo, a variação natural é o maior selo de autenticidade do seu trabalho.
Carla destaca esse valor único da sua arte ao pontuar que “a exclusividade é a maior riqueza do nosso trabalho. Nenhuma flor é igual à outra, e a cliente entende que levar uma variação natural no formato ou na cor, é ter a certeza de usar uma peça única no mundo”.
















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