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Mercado de caminhões usados dispara 300% e ganha protagonismo em 2026

Mercado de caminhões usados dispara 300% e ganha protagonismo em 2026

(FOLHAPRESS) – Não é apenas no segmento de veículos leves que os modelos usados aparecem como alternativa de compra viável quando as opções zero-quilômetro se tornam distantes devido aos preços altos ou à conjuntura desfavorável. No mercado de caminhões também funciona assim.

No primeiro semestre do ano houve forte queda nas vendas de veículos pesados, com retração de 9,4% ante o resultado em igual período no ano passado. Ao mesmo tempo, transportadores recorreram ao mercado de usados para expandir as suas frotas.

Isso fez com que o volume de modelos de segunda mão vendidos apresentasse crescimento de incríveis 300% ante 2025, somando 289.368 unidades negociadas, de acordo com dados da Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores).

O preço do veículo novo não representou o único fator que levou a esse boom dos usados, nem o difícil acesso ao crédito necessário para a aquisição do bem justifica a alta.

Houve também interferência do próprio mercado de novos no resultado, uma vez que esses veículos são utilizados como entrada na compra de caminhões zero-quilômetro.

“Nós vimos no primeiro semestre um forte impulso dos usados no mercado porque foi neste período que as vendas de modelos novos aumentaram por causa dos incentivos do programa Move Brasil”, disse Marcelo Franciulli, diretor executivo da Fenabrave, que é a associação que representa o setor de distribuição de veículos no país.

“Muitos dos caminhões comprados por meio do programa tiveram um usado como moeda no momento de fechar o negócio”, completou o executivo.

No recorte por modelos, os caminhões pesados lideraram as vendas, refletindo a demanda do transporte rodoviário de longa distância. Entre os destaques, aparecem modelos consagrados pela robustez e liquidez, como é o caso do Volvo FH, com 16 mil unidades vendidas entre os usados no primeiro semestre do ano. O modelo também lidera o mercado de pesados zero-quilômetro.

Na segunda posição aparece o Ford Cargo (13.589 unidades vendidas), que ainda brilha no mercado mesmo com o encerramento das atividades produtivas da montadora na região. Depois, em terceiro, o Mercedes-Benz Axor (8.074 unidades).

Mas o crescimento visto na primeira metade do ano pode não se repetir na segunda. “A estabilidade do mercado é um sinal de resiliência do setor no período de realização da Copa do Mundo, quando a atividade financeira geral sofre uma desaceleração temporária”, disse Everton Fernandes, presidente da Fenauto.

“Ainda teremos um novo desafio pela frente, com as eleições em outubro, mas mantemos as nossas previsões de um novo possível recorde de vendas até o final do ano.”

Também houve crescimento das vendas de picapes e comerciais leves usados no primeiro semestre, apontaram os dados da Fenauto. No período, foram vendidas 1,034 milhão de unidades, 9,8% a mais do que no mesmo ciclo em 2025. Puxaram as vendas nesse segmento os modelos Fiat Strada (216.806 unidades vendidas), Toyota Hilux (104.245) e Volkswagen Saveiro (127.865).

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Folhapress | 02:50 – 14/07/2026