O mercado financeiro brasileiro encerrou a semana com pouca alteração no principal índice da Bolsa, mas com um cenário de elevada sensibilidade para os próximos dias.
O Ibovespa terminou esta sexta-feira (2) aos 187.342 pontos, alta de 0,08%. Durante o pregão, o índice chegou a 189.822 pontos e caiu até 186.144.
O resultado ocorre depois de um setembro positivo. O Ibovespa havia acumulado alta de aproximadamente 5% no mês passado e chegou a outubro ainda próximo de níveis historicamente elevados.
No câmbio, o dólar permaneceu na região de R$ 5,22. A taxa de venda da Ptax, calculada pelo Banco Central, terminou o dia em R$ 5,2238.
O comportamento da moeda americana continua sendo influenciado por dois conjuntos de fatores.
No Brasil, estão no radar o resultado das eleições deste domingo e as perspectivas para a política econômica. No exterior, os investidores acompanham principalmente os juros americanos, o comportamento do petróleo e os conflitos geopolíticos.
Na quinta-feira, o petróleo Brent chegou a superar US$ 102 por barril. A alta da commodity ajudou empresas petrolíferas na Bolsa, mas também aumentou a preocupação com a inflação mundial e seus efeitos sobre os juros.
O que pode acontecer na próxima semana
A abertura dos mercados na segunda-feira será especialmente sensível ao resultado das eleições e à composição do Congresso.
Isso significa que não há uma projeção confiável de alta ou queda para a Bolsa ou para o dólar antes que esses dados estejam conhecidos.
O mercado poderá reagir principalmente à interpretação dos investidores sobre o cenário fiscal, econômico e político que se desenhará depois do primeiro turno.
No câmbio, o ponto de referência continua sendo a região de R$ 5,20.
O último Relatório Focus disponível antes do fechamento da semana mantinha em R$ 5,20 a previsão do mercado para o dólar no fim de 2026. Para 2027, a estimativa era de R$ 5,28.
Isso não significa que o dólar permanecerá nesses valores na próxima semana. Movimentos bruscos são possíveis quando surgem novas informações capazes de alterar as expectativas dos investidores.
Juros continuam importantes
Outro ponto de atenção é a Selic.
O Banco Central informou no Relatório de Política Monetária de setembro que a taxa básica havia sido reduzida para 13,75%, após cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões de agosto e setembro. O documento também destacou o aumento das incertezas e a necessidade de cautela na condução da política monetária.
O Focus de 28 de setembro projetava Selic de 13,5% no final de 2026.
Nos Estados Unidos, o mercado recebeu nesta sexta-feira um dado importante: foram criadas apenas 29 mil vagas de trabalho em setembro, abaixo das expectativas. O resultado reduziu as apostas em uma elevação imediata dos juros americanos.
E o dólar?
A referência mais objetiva para a próxima semana é, portanto, a faixa atual.
Com o dólar ao redor de R$ 5,22, uma combinação de maior tensão política ou fiscal pode aumentar a procura pela moeda americana. Por outro lado, uma percepção de menor risco, junto com um ambiente internacional favorável às moedas emergentes, pode pressionar a cotação para baixo.
O mesmo vale para a Bolsa.
O Ibovespa está em patamar elevado, mas isso não elimina a possibilidade de oscilações fortes. O mercado entra na próxima semana tentando transformar o resultado eleitoral em novas expectativas para juros, inflação, contas públicas e crescimento econômico.
Por isso, mais do que tentar adivinhar uma cotação para a próxima semana, o principal indicador a acompanhar será como o mercado interpretará as informações que surgirem a partir de domingo.
A semana começa, portanto, com três números importantes para acompanhar: Ibovespa em 187.342 pontos, dólar Ptax em R$ 5,2238 e Selic em 13,75%.
















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