Destaques do Dia Maringa

O paradoxo da presença: pais cobram a escola, mas se distanciam dos debates pedagógicos

O paradoxo da presença: pais cobram a escola, mas se distanciam dos debates pedagógicos

Tempo de leitura: 2 min

Maringá — A relação entre a família e a escola vive uma contradição estrutural na sociedade contemporânea. Ao mesmo tempo em que os pais exercem uma vigilância constante e interferem de maneira incisiva nas decisões disciplinares e na rotina pedagógica diária, a presença desses mesmos responsáveis nos momentos formais de debate e avaliação escolar despencou.

 

O alerta é do professor Antonio Leonel, o Toninho, diretor-geral do Colégio Platão de Maringá. A partir da experiência acumulada em quatro décadas de gestão escolar, o educador exemplifica: a participação das famílias nas reuniões de entrega de boletins ao final de cada bimestre sofreu uma redução substancial ao longo das últimas décadas, evidenciando um fenômeno que ele classifica como um distanciamento dos fóruns adequados.

 

 

“Ao longo dos anos, das décadas, essa presença vem substancialmente diminuindo. De 400 pais que poderiam estar na última reunião do ano, ali em outubro e novembro, nós não chegamos a 40 pessoas presentes. Ou seja, há uma intervenção, às vezes, até nociva na dinâmica escolar e, nos momentos em que talvez devessem estar presentes, não estão”, aponta Leonel.

 

Segundo o diretor, as famílias transferiram o debate coletivo e institucional para o campo das queixas individuais, muitas vezes motivadas pela insatisfação com as notas.

 

Essa inversão de papéis traz consequências para o próprio amadurecimento dos estudantes. O diretor defende que a família tem o direito e o dever de questionar a instituição de ensino, mas ressalta que o enfraquecimento dos canais oficiais de diálogo prejudica a construção de uma parceria saudável entre as duas partes.

 

“A família deve questionar o tempo inteiro. Isso não me incomoda e não incomoda a nenhum educador. Porém, ela precisa fazer isso no momento certo e no lugar certo. Em uma reunião com a escola, com todos os professores presentes, esse é o fórum adequado para interagir e pedir explicações”, esclarece.

 

O educador conclui que, quando a interlocução legítima é substituída por pressões cotidianas isoladas, o jovem perde a referência de limites e regras, o que atrasa a sua transição para a autonomia exigida pela vida universitária e pelo mercado de trabalho.

 

A análise completa sobre a relação entre pais e escola, os índices de participação familiar e os desafios da gestão escolar está disponível no episódio do podcast. Assista ao episódio completo do Ponto a Ponto no canal do YouTube do Maringá Post.