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Operação contra Milton Leite conecta entidade suspeita de irregularidade na saúde ao PCC

Milton Leite é alvo de operação contra infiltração do PCC no transporte público de São Paulo

(FOLHAPRESS) – A operação que mirou o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) e mais 15 pessoas suspeitas de manter elos com o PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de transportes conecta os envolvidos a uma organização social de saúde que acumula problemas na Justiça e no TCE-SP (Tribunal de Contas de São Paulo).

Trata-se do Iase (Instituto de Atenção à Saúde e Educação), que, até 2022, chamava-se Aceni.

Procurada por telefone e por e-mail na sexta-feira (18) e nesta segunda-feira (21), a entidade não se pronunciou até a publicação deste texto. Em ocasiões anteriores, negou irregularidades e disse que eventuais acusações “não passam de suposições levantadas por terceiros”.

Segundo autoridades, dois alvos da operação da semana passada têm ligação com a entidade.

O primeiro é José Daniel Satilite, que, segundo a investigação, é integrante do PCC. Ele foi conselheiro da então Aceni em 2017, diz a Polícia Civil.

O segundo é Paulo Korek, que se entregou na noite de sábado (20), após passar quase três dias foragido. O irmão e o sogro dele também fizeram parte do conselho da entidade.

O nome da organização social apareceu em áudios de 2020 interceptados durante a investigação. Na gravação, Satilite propõe a outro investigado abrir uma ONG (Organização Não Governamental) e diz que Korek já havia feito isso.

Em outro áudio, ele diz que seu nome foi usado na composição do conselho da OS.

A polícia diz que Satilite atuava como laranja de outros investigados não apenas no setor de transportes, mas também na saúde. A reportagem não conseguiu identificar sua defesa. Ele teve a prisão decretada, mas não foi encontrado e é considerado foragido pela Justiça.

O advogado Roberto Vasco, que defende Korek, afirmou que não há elementos contra seu cliente.

“Não existe imputação feita a ele. O que ali é dito são terceiros falando, diálogos de terceiros citando pessoas. Não existe uma ligação dele, ele falando com ninguém”, afirmou.

Não é a primeira vez que o Iase aparece sob suspeita da polícia e do Ministério Público.

A entidade também é pivô das investigações que levaram a Justiça Federal a afastar do cargo o prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos).

O mandatário conseguiu voltar ao cargo após uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal). Ele é acusado de liderar um esquema de desvios em seu governo e nega irregularidades.

A gestão Manga firmou dois contratos com o Iase: o primeiro, sem licitação, sob uma emergência que o MPF (Ministério Público Federal) diz não existir; e o segundo, com edital já direcionado à entidade, segundo os procuradores.

Os desvios, segundo a denúncia, saíam de contratos fraudulentos entre o Iase e fornecedores, parte deles ligados à própria diretoria da entidade.

Antes disso, a ONG já havia enfrentado outros problemas no âmbito da Operação Raio-X, que investigou desvios milionários na saúde paulista. Um de seus ex-presidentes deixou o cargo em 2020 após ser denunciado criminalmente.

Como mostrou a Folha de S.Paulo no ano passado, o Iase também tem contratos rejeitados pelo TCE na maioria das cidades com as quais manteve contrato na área da saúde.

Em Arujá, a então Aceni foi contratada em 2019 por R$ 7 milhões. Para o TCE, não comprovou experiência para assumir uma unidade de saúde local. O tribunal disse ainda que a entidade estava “instalada nos fundos do endereço apontado, sugerindo estrutura incompatível com o porte da terceirização”.

Em Guarujá, por sua vez, tanto o TCU (Tribunal de Contas da União) quanto o TCE consideraram irregular um contrato com a entidade para operar o hospital de campanha da cidade durante a pandemia de Covid-19, em 2020. A decisão fala em aquisições com sobrepreço superiores a 40%.

A operação foi realizada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. Ao todo, 16 pessoas foram alvo de prisão temporária em decisão que autorizou buscas em 18 endereços em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Folhapress | 07:24 – 19/09/2026