Os pesquisadores da Rede Paranaense de Agropesquisa (Napi Prosolo) divulgaram os resultados parciais obtidos na segunda etapa dos estudos do solo em megaparcelas nos municípios de Cianorte e Presidente Castelo Branco, no Noroeste do Estado do Paraná. Os dados apontam que, nos solos arenosos da região, os terraços podem reduzir a perda de água em até 75% ou mais; e a perda de solo pode diminuir de 45% até mais de 90%, dependendo da cultura implantada e do tipo de terraço utilizado.
Agora, o objetivo do grupo coordenado pelo doutor Edison Schmidt Filho, professor da Unicesumar e do Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação (Iceti), é fazer a valoração da perda de solo e nutrientes, especialmente em áreas sem o uso de terraços. A ideia é saber quanto o produtor tem de perda econômica pelos escoamentos de água, solo e nutrientes durante as chuvas.
“A cada novo resultado, temos mais certeza de que o produto final das pesquisas da Rede, lá em 2029, vai agregar muito para o manejo do solo e, consequentemente, para o desenvolvimento das lavouras do Paraná”, diz o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Vamos seguir apoiando as pesquisas para melhor orientar o produtor rural. Afinal, todo estudo que venha a ajudar o campo a reduzir os prejuízos com intempéries climáticas é bem-vindo e necessário”, completa.
O Sistema FAEP apoia o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi), união da Rede Paranaense de Agropesquisa e do Programa Integrado de Conservação de Solo e Água do Paraná (Prosolo), junto à Fundação Araucária e à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). Além da região Noroeste, em Presidente Castelo Branco e Cianorte, as pesquisas da Rede estão sendo desenvolvidas em outras cinco mesorregiões do Estado: Norte (em Cambé), Campos Gerais (Ponta Grossa), região Central (Guarapuava), Sudoeste (Dois Vizinhos) e Oeste (Toledo).
“A Rede Paranaense de Agropesquisa (Napi Prosolo) tem um papel extremamente importante para o fortalecimento da pesquisa aplicada, no Paraná, especialmente em uma área tão estratégica para o nosso Estado, que é a agricultura”, afirma a coordenadora de Ciência e Academia da Fundação Araucária, Fátima Padoan.
Como lembra o professor Edison Schmidt Filho, em todas as áreas do Estado, as pesquisas reúnem dados físicos, químicos e biológicos para orientar o dimensionamento de estruturas conservacionistas e ajustes de manejo.
Pesquisas nos solos do Arenito Caiuá
Tanto em Presidente Castelo Branco quanto em Cianorte, o solo é bastante arenoso e, assim, muito sensível e suscetível à erosão. Em Presidente Castelo Branco, 100% das áreas são destinadas ao plantio da cana-de-açúcar. Já Cianorte se dedica à cultura anual. Atualmente, a rotação é milho ou soja na primeira safra e aveia na segunda, ou safra de inverno.
Nos dois municípios, desde 2020, segundo o professor Edison Schmidt Filho, um grupo de oito professores pesquisadores, 12 bolsistas de apoio técnico, sete bolsistas de Iniciação Científica, dois mestrandos, dois pesquisadores de pós-doutorado e uma doutoranda externa da Universidade Estadual de Londrina (UEL) acompanham todos os eventos de chuva em três espaços de pesquisas. Em cada município, estão instaladas duas megaparcelas (uma com e outra sem terraço) e, no rio, calhas fazem a coleta de água na microbacia para análise.
“Onde os terraços foram removidos, observamos mais perda de sedimentos. O que percebemos é que essas estruturas são importantes para evitar os prejuízos da erosão e da perda de nutrientes do solo”, afirma Schmidt Filho.
Ainda de acordo com o pesquisador, as perdas são financeiras e podem ser grandes. “O produtor gasta muito com adubo para manter o solo nutrido. Em especial, os macronutrientes mais importantes são o nitrogênio, o fósforo e o potássio, que compõem a formulação dos fertilizantes que são aplicados. Quando chove e não há proteção, portanto, esses nutrientes também escoam e, com isso, certamente há prejuízo econômico. É o que queremos, agora, valorar”, detalha o coordenador da pesquisa na região.
Por ora, a orientação de Edison Schmidt Filho é que os produtores da região mantenham o solo protegido com terraços e sempre com cobertura (verde ou palhada). “O produtor não deve revolver o solo periodicamente nem fazer o uso de grade aleatoriamente para não perder solo e, consequentemente, produtividade e lucro”, sinaliza.
Segundo o professor da Unicesumar/Iceti, deve haver um planejamento técnico adequado para a instalação dos terraços, que depende da declividade dos terrenos, entre outras características de cada solo e área. “Lembrando que a função do terraço é diminuir o comprimento de rampa (do ponto mais alto do terreno até o fundo de vale), para impedir que água escorra pela superfície e, assim, solo e nutrientes permanecem na gleba”, conclui.
















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