SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um estudo divulgado nesta terça-feira (4) pela Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) calcula que o desenvolvimento do setor de minerais críticos no Brasil pode adicionar R$ 192 bilhões ao PIB (Produto Interno Bruto) nacional até 2050.
O material, elaborado por pesquisadores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), analisa os impactos que a expansão dessa cadeia pode ter na economia brasileira e no mercado de trabalho.
Foram consideradas duas estratégias. Na primeira, a produção mineral é voltada principalmente à exportação, e os investimentos na área são financiados só por recursos domésticos -sem capital estrangeiro. Nesse cenário, o impacto no PIB fica em R$ 128,7 bilhões até 2050, com 304 mil novos empregos gerados.
O segundo cenário considera uma maior participação de investimentos estrangeiros no setor e uma estratégia nacional para agregar valor à cadeia. Ou seja, além de serem exportados, os minerais críticos seriam processados no país e usados pela indústria nacional.
Nessa hipótese, o impacto acumulado sobre o PIB cresce para R$ 192,1 bilhões, com 750 mil novos empregos gerados nos próximos 25 anos.
Segundo a Amcham, o estudo fez os cálculos considerando projeções para estimar a demanda por minerais críticos, o que inclui as cadeias de cobre, grafita, lítio, níquel e terras raras, que são considerados essenciais para a transição energética e a indústria de defesa.
O PIB do Brasil fechou 2025 em R$ 12,7 trilhões. Hoje, a indústria extrativa mineral contribui com cerca de 4% desse total.
A capacidade de extrair e processar minerais críticos é um dos pontos centrais na discussão econômica atual. O estudo lançado pela Amcham detalha que, atualmente, a indústria brasileira está concentrada nos estágios iniciais da cadeia (extração e beneficiamento simples), com pouco processamento e fabricação de itens de maior valor agregado.
“Em 2023, por exemplo, apenas 5% do lítio extraído no país foi processado internamente, e o níquel refinado representou menos de 40% da produção total”, diz o documento.
Os dados do estudo mostram que romper com esse padrão pode trazer efeitos econômicos mais intensos. No cenário em que o Brasil processa esses minerais internamente para fabricar baterias e veículos, a indústria de transformação pode crescer 1,82% -quase o triplo do crescimento esperado no cenário de apenas exportação. Além disso, setores como o de máquinas e equipamentos elétricos podem registrar um salto de 16,7%
O estudo também toca em um dos temas considerados mais sensíveis na conversa global sobre minerais críticos: a presença de capital estrangeiro nessa indústria.
Pela importância geopolítica que o setor ganhou nos últimos anos, a discussão passou a ser feita não só por meio da lente econômica, mas também da soberania nacional.
A Amcham defende que a atração de investimentos estrangeiros é um pilar para que o país deixe de ser um mero exportador de commodities.
“Quanto maior for a capacidade de atrair investimentos, maior será a transformação dessa riqueza mineral em valor, tecnologia, empregos e desenvolvimento industrial e econômico”, afirma o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, no documento.
A criação de filtros e travas aos investimentos estrangeiros nesse setor está em discussão no projeto de lei que institui uma política nacional de minerais críticos e terras raras. O texto, aprovado pela Câmara dos Deputados em maio, ainda aguarda apreciação do Senado.
O projeto prevê uma atuação forte do Estado, mas sem entrada direta na área produtiva. Também cria incentivos ao processamento e mecanismos de controle sobre possível influência de interesse estrangeiro.
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