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Pix internacional: BC planeja pagamentos em segundos entre países

BC corta Selic em 0,25 ponto pela 3ª vez, para 14,25% ao ano, e mantém indefinição sobre futuro

O Banco Central (BC) estuda interligar o Pix a sistemas de pagamentos de outros países e a mecanismos multilaterais globais de pagamentos instantâneos. Segundo a autoridade monetária, a iniciativa pode reduzir tarifas e ampliar o acesso dos brasileiros a transações internacionais.

“Estão em discussão tanto interligações bilaterais como a participação em hubs multilaterais. Essas interligações permitiriam a realização de remessas internacionais e de transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos”, informou o BC.

A agenda de novos produtos e funcionalidades do Pix foi divulgada nesta segunda-feira (10), no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025. O Banco Central informou também que acompanha modelos de transações internacionais com uso do Pix que já vêm sendo implementados por empresas brasileiras e estrangeiras.

Entre outras inovações previstas estão a realização de pagamentos por aproximação mesmo sem conexão à internet e a possibilidade de uso do Pix Automático em substituição ao débito em conta.

Pix e crédito

O BC também analisa a integração do Pix ao mercado de crédito, permitindo que os chamados “fluxos futuros de Pix” sejam utilizados como garantia em financiamentos.

“Como resultado esperado, a solução pode contribuir para a melhoria da qualidade das garantias e para a redução do custo do crédito, especialmente para empresas com forte uso do Pix”, diz o relatório.

Mensagens pelo Pix

Outro ponto em análise é o uso do campo de mensagens das transações. O Banco Central identificou casos de utilização da ferramenta para ofensas, ameaças e intimidações, muitas vezes acompanhadas de transferências de valores irrisórios.

O espaço foi criado originalmente para permitir o registro de informações relacionadas às operações. Diante do uso inadequado, o BC instituiu um grupo de trabalho para discutir possíveis mudanças.

“Com base nas conclusões desse trabalho, o BC avaliará e instituirá, se julgar necessário, as medidas regulamentares adequadas para coibir o uso inadequado do campo de mensagens”, afirma o documento.

Sistema antifraude

O Banco Central prevê ainda oito medidas para reforçar a segurança das operações feitas pelo Pix. Entre elas está a criação de critérios mínimos e objetivos para identificar transações suspeitas de fraude.

Atualmente, cada instituição financeira define seus próprios parâmetros. Segundo o BC, essa falta de padronização provoca diferenças na forma como as operações são analisadas e pode permitir a autorização de transações que deveriam receber atenção especial.

“Isso gera comportamentos heterogêneos e permite que diversas transações que deveriam ter tratamento diferenciado, como transações de elevado valor durante horário não comercial, sejam autorizadas sem uma avaliação mais cuidadosa”, explicou a autoridade monetária.

A agenda inclui ainda o desenvolvimento de um indicador de “probabilidade de fraude no Pix”, que deverá ser calculado pelo Banco Central em tempo real para todas as operações.

“Será construído com base em modelo de machine learning [de Inteligência Artificial] e deverá ser disponibilizado às instituições participantes para alimentarem os seus sistemas antifraude”, informa o relatório.

Também está prevista a padronização obrigatória dos alertas de fraude já utilizados por algumas instituições financeiras, além do aprimoramento da troca de informações para bloqueios cautelares de operações suspeitas.

“A criação de um fluxo direto e automatizado entre as instituições permitirá a troca fluida e tempestiva de informações, o que irá facilitar a avaliação sobre a transação, de forma a aumentar a assertividade na detecção de fraudes”, afirma o BC.

Outra medida em estudo é a ampliação das ações cautelares que podem ser impostas a instituições que coloquem em risco o funcionamento do sistema de pagamentos, incluindo restrições ao cadastro de novas chaves Pix.

Pix entrou na mira dos Estados Unidos
O Pix também passou a ser citado pelo governo dos Estados Unidos entre as críticas dirigidas ao Brasil no contexto do tarifaço de 25% aplicado a parte dos produtos brasileiros. A Casa Branca afirma que o sistema representa uma “prática desleal” no mercado financeiro, argumento rejeitado pelo governo brasileiro.

Especialistas consultados pela Agência Brasil avaliam que a reação do governo Donald Trump ao Pix está relacionada ao fato de o sistema reduzir a dependência brasileira de estruturas de pagamento controladas por empresas e instituições financeiras dos Estados Unidos.

Na avaliação desses especialistas, a criação de uma infraestrutura própria de pagamentos também diminui a capacidade de Washington de utilizar mecanismos financeiros como instrumento de pressão sobre outros países.