O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu nesta quarta-feira (7) que houve discussões sobre um golpe de Estado no fim do governo de Jair Bolsonaro, após a derrota do então presidente para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. Apesar da admissão, o dirigente partidário minimizou a articulação e contestou as condenações determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, em Porto Alegre (RS).
“Discutiram de dar o golpe. Tudo bem, discutiram. E daí? Discutiram, mas não deram golpe”, afirmou Valdemar, ao comentar as conversas envolvendo integrantes das Forças Armadas após o resultado das eleições presidenciais.
Questionado diretamente se reconhecia que houve planejamento de um golpe de Estado, o presidente do PL respondeu: “Não tenha dúvida”.
Em seguida, argumentou que discutir uma ação não significa necessariamente executá-la.
“Quanto planejamento você não faz que você vê depois que está errado e você para no meio da ação?”, perguntou.
Valdemar é questionado sobre possível golpe em governo Flávio
Durante a entrevista, Valdemar também foi questionado sobre a possibilidade de uma nova articulação golpista em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno da eleição presidencial contra Lula, marcado para 25 de outubro.
Ao ser perguntado sobre quem poderia garantir que uma situação semelhante não voltaria a ocorrer, o dirigente respondeu: “Sei lá, sei lá. Pode haver planejamento”.
Na sequência, porém, argumentou que as consequências enfrentadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro desestimulariam qualquer tentativa semelhante.
“Olha o Bolsonaro o que está pagando. Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais”, declarou.
O assunto voltou a ser abordado minutos depois pelos apresentadores Kelly Matos, Paulo Germano e Gabriel Sant’Ana Wainer, que relataram preocupação de ouvintes com a resposta.
Valdemar elevou o tom de voz e afirmou que uma eventual iniciativa de militares não teria apoio político. Também voltou a negar a participação de Jair Bolsonaro em uma tentativa de golpe.
“Pode ter um general querendo fazer, vai ficar sozinho querendo fazer, porque ninguém vai fazer. O presidente não, o presidente não”, afirmou.
Presidente do PL contesta condenações do STF
Embora tenha reconhecido as discussões sobre uma ruptura institucional, Valdemar insistiu que não houve golpe de Estado e criticou as decisões judiciais relacionadas ao caso.
“Jamais poderiam ter condenado esse pessoal que condenaram, porque não houve golpe. Golpe não se faz com pedaço de pau, se faz com metralhadora, com canhão”, declarou.
O dirigente também defendeu a concessão de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas em Brasília.
Para Valdemar, o planejamento de um golpe não deveria ser considerado crime caso a ação não tivesse sido executada ou tentada.
A interpretação apresentada pelo presidente do PL contrasta com a decisão do Supremo Tribunal Federal, que condenou Jair Bolsonaro por participação na trama golpista.
Em setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou o ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes, entre eles golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Segundo a decisão, Bolsonaro liderou uma organização criminosa envolvida na tentativa de impedir a posse de Lula após as eleições de 2022. A condenação tornou-se definitiva em novembro de 2025.
Valdemar diz que respeitará resultado das eleições
O presidente do PL também foi questionado sobre a possibilidade de Lula vencer o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Perguntado se o resultado das urnas seria respeitado, respondeu afirmativamente.
“Lógico, sempre foi. Eu sempre respeitei as urnas”, declarou.
Valdemar afirmou que, embora existam integrantes da direita que questionem o sistema eleitoral brasileiro, ele nunca teve dúvidas sobre o funcionamento das urnas eletrônicas.
Em novembro de 2022, no entanto, o PL apresentou questionamentos sobre o processo eleitoral e o funcionamento dos equipamentos de votação.
Dois anos depois, em depoimento à Polícia Federal, Valdemar afirmou que havia sido “obrigado” por Jair Bolsonaro a questionar o resultado das eleições.
Flávio Bolsonaro poderia conceder anistia ao pai, diz Valdemar
Durante a entrevista, Valdemar também afirmou que Flávio Bolsonaro, caso seja eleito presidente, pretende adotar medidas para libertar o pai e outros condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
Segundo o dirigente, essas iniciativas poderiam ocorrer já no primeiro dia de um eventual governo.
Valdemar negou, porém, que a libertação do ex-presidente seja o principal objetivo da candidatura de Flávio Bolsonaro.
As declarações ocorrem em meio à disputa presidencial entre o senador e Lula, que se enfrentarão no segundo turno em 25 de outubro.
















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