Preparar uma aula de 45 a 50 minutos pode exigir horas de trabalho, antes e depois do encontro com os alunos. Planejamento, elaboração de materiais, correção de provas e atualização de atividades fazem parte da rotina dos professores, mas nem sempre são realizados durante o expediente.
Nesta quinta-feira, 15 de outubro, quando se comemora o Dia dos Professores, a reportagem do Maringá Post foi conversar com os profissionais que abraçaram a carreira de compartilhar conhecimento e moldar as gerações para o futuro.
‘É prazeroso estar com os alunos’
Gabriela Valdevieso, professora de Redação do Colégio Platão, em Maringá, tem mais de dez anos de experiência na docência e afirma que as tarefas extraclasse estão entre as partes mais desgastantes do trabalho.
“A rotina fora de sala de aula é mais intensa do que a rotina de sala de aula. Quando estou com os alunos, é a parte mais prazerosa do meu trabalho. Gosto de trocar experiências, conversar e ouvir o que eles têm a dizer”, relata.
Planejamento envolve muitos detalhes
De acordo com Gabriela, a preparação das aulas envolve elaborar materiais, organizar apresentações, selecionar vídeos, criar exercícios e corrigir avaliações. A rotina também pode incluir o registro de notas e presenças e a publicação de atividades em plataformas digitais.
“Tudo o que você faz para que uma aula de 45 ou 50 minutos aconteça pode levar duas, três ou quatro horas do seu dia. Muitas vezes, isso fica para o fim de semana, quando o professor planeja a semana seguinte e corrige provas”, afirma.
A professora observa que parte dessas tarefas não é remunerada separadamente. O tempo dedicado ao planejamento e às correções, segundo ela, pode reduzir as horas disponíveis para descanso e convivência familiar.
Segredo é cativar os alunos
Além das atividades extraclasse, Gabriela aponta a dificuldade de manter os estudantes envolvidos nas aulas como um dos principais desafios atuais. Na avaliação dela, redes sociais, vídeos, jogos on-line e outras formas de entretenimento disputam a atenção dos adolescentes.
“O maior desafio para ser professora hoje é cativar o aluno, concorrendo com outras coisas que parecem muito mais interessantes para ele”, diz.
Reinventar-se a toda hora
Para enfrentar essa situação, a professora considera necessário rever estratégias de ensino e adaptar a forma de apresentar os conteúdos. Segundo ela, o objetivo é estimular a participação dos estudantes sem depender apenas de medidas punitivas.
“A maneira como aprendemos a ensinar não se preserva ao longo de toda a nossa trajetória. Precisamos nos reinventar para atender às novas demandas e conseguir cativar o aluno”, afirma.
Reflexos da pandemia
Gabriela também percebe mudanças na participação em sala de aula desde a pandemia de covid-19. Segundo a experiência dela, a dispersão se tornou mais frequente, e conquistar o envolvimento dos estudantes exige atenção às diferentes formas de aprendizagem e interação.
Gabriela afirma que se sente respeitada e valorizada em sua experiência profissional, embora relate situações pontuais de desrespeito ao longo da carreira. Ao avaliar o cenário brasileiro, porém, ela considera que a desvalorização da docência ainda aparece em diferentes contextos, tanto nas relações cotidianas quanto nas condições financeiras oferecidas aos profissionais.
A professora cita episódios de violência contra educadores, remunerações que nem sempre acompanham o custo de vida e a percepção de que o trabalho se limita ao período em sala de aula.
“Existem muitos mitos sobre o que é ser professor. Algumas pessoas perguntam se você trabalha ou ‘só dá aula’, como se dar aula fosse algo extremamente simples. O trabalho começa antes e continua depois da aula”, afirma.
A avaliação de Gabriela parte de sua experiência na rede privada e de sua percepção sobre o cenário nacional. As condições de trabalho e a remuneração variam conforme a rede de ensino, o vínculo profissional e a carreira.
Rede Municipal reúne 115 unidades
Em Maringá, a rede municipal de ensino conta com 115 unidades: 53 escolas municipais e 62 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). Segundo dados da Secretaria Municipal de Educação, são 4.502 profissionais na função de professor, considerando 4.308 professores e 194 profissionais contratados por Processo Seletivo Simplificado (PSS) para jornadas de 20 horas.
A rede também conta com 284 cuidadores infantis, 47 auxiliares de creche e 23 cuidadores contratados por PSS.
A secretária municipal de Educação, Adriana Palmieri, aponta entre os desafios da rede o atendimento às diferentes necessidades de aprendizagem, a inclusão e as questões comportamentais e socioemocionais dos estudantes.
“Ser professor nos dias atuais é um desafio que exige conhecimento, sensibilidade, compromisso e, acima de tudo, humanidade”, declarou.
Segundo a Secretaria, a rede mantém um cronograma de formação continuada para profissionais da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, além de acompanhamento pedagógico e monitoramento das aprendizagens. As ações têm como objetivo apoiar o trabalho das equipes e identificar as necessidades dos estudantes.
Parceria com as famílias
Adriana também afirma que a relação entre família e escola é parte importante do processo educativo. Segundo ela, a escola participa da formação dos estudantes, mas o desenvolvimento de valores como respeito, responsabilidade e convivência envolve também o ambiente familiar.
“Quando família e escola caminham juntas, o trabalho pedagógico se fortalece e as crianças são as maiores beneficiadas”, afirmou.
A Secretaria informou que as unidades contam com um calendário de ações de parceria com as famílias e orientações para convocar os responsáveis para o diálogo quando necessário.
Nos casos que exigem acompanhamento de outras áreas, a rede de proteção pode envolver educação, assistência social, saúde e Conselho Tutelar. A atuação conjunta busca responder a situações que ultrapassam as atribuições exclusivas da escola.
Evolução funcional
Entre as medidas de valorização profissional citadas pela Secretaria estão alterações na organização das carreiras e das jornadas de trabalho. De acordo com Adriana, a lei que estabelece as mudanças já foi sancionada, mas há um período de adaptação para a implementação das regras.
Segundo as informações fornecidas pela Secretaria, as mudanças incluem a incorporação de incentivos e benefícios à remuneração fixa, conforme o enquadramento dos servidores, e a alteração do cálculo das horas suplementares, que passa a considerar o nível e a evolução funcional, em vez de utilizar apenas o salário inicial da tabela.
A legislação também prevê a reorganização da carreira na Educação Infantil, com reconhecimento de profissionais conforme as regras de enquadramento, além de jornadas de 30 e 40 horas para professores de Educação Infantil.
A Secretaria afirma que a implementação considera as atribuições de cada função e a organização da rede municipal. Para detalhar os efeitos das mudanças sobre os profissionais, é importante consultar a legislação e as regras específicas de enquadramento.
















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