Destaques do Dia Maringa

“Reitor é um diplomata”: Leandro Vanalli detalha conquistas à frente da UEM e bastidores da gestão universitária

Maringá Post

Tempo de leitura: 5 min

Em entrevista ao Ponto a Ponto, o reitor faz um balanço de seu mandato, explica as estratégias para destravar 24 obras paradas e projeta o papel da instituição como motor de desenvolvimento regional.

Gerenciar uma estrutura que impacta diretamente a vida de milhares de pessoas e administrar um orçamento anual que atinge a marca de R$ 1 bilhão. Esse é o cotidiano da liderança da Universidade Estadual de Maringá (UEM), consolidada hoje como a primeira instituição estadual do Sul do país e a quinta melhor do Brasil no segmento.

Para analisar os bastidores dessa engrenagem pública, os desafios estruturais e os resultados obtidos nos últimos anos, o podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, recebeu o reitor da UEM, professor Leandro Vanalli. Em uma conversa franca com o jornalista Ronaldo Nezo, o gestor relembrou sua trajetória incomum dentro da universidade, detalhou o plano de ação que reverteu o histórico de paralisação de obras e defendeu o caráter pragmático e institucional da reitoria.

Do primeiro emprego à reitoria

A história de Leandro Vanalli com a UEM começou muito antes de sua carreira docente. Em 1991, aos 15 anos, ele ingressou na instituição após ser aprovado em um concurso público para uma vaga operacional.

“Entrei na UEM como servidor técnico, né? Na época havia um cargo chamado Contínuo, o mensageiro, o office boy. Então eu tinha sido aprovado no concurso, com vários candidatos, e ali, entre os colocados, obtive esse primeiro emprego. E minha vida começou ali, com 15 anos”, relata o reitor.

Após deixar o cargo aos 18 anos para cursar Engenharia Civil na própria UEM, Vanalli seguiu para o mestrado e o doutorado. Retornou como professor temporário e, em 2006, tornou-se docente efetivo no recém-criado campus regional de Umuarama. 

A trajetória culminou na eleição de 2022, quando ele quebrou um paradigma histórico na instituição. “Eu sou o primeiro reitor de um campus regional. O campus de Umuarama nunca teve um reitor, também nunca tinha tido um diretor de centro, um vice-diretor”, destaca. Na ocasião, sua chapa venceu a disputa ainda no primeiro turno, enfrentando outras três candidaturas.

O fim do pátio de obras paralisadas

Ao assumir o cargo em outubro de 2022, o reitor deparou-se com um dos gargalos mais criticados pela comunidade: dezenas de prédios com construções interrompidas. A resolução desse problema tornou-se a prioridade de sua gestão, abordada sob dois eixos fundamentais: o técnico e o político.

“Esse pátio de obras paralisadas, aqui no campus-sede e também nos campi regionais, levaram então àquele símbolo que a UEM é um pátio de obras paralisadas. E isso perdurou algumas gestões, e quando eu cheguei, até pela minha área que é engenharia civil, então isso me angustiava muito. Mas eu sabia que a solução tinha dois eixos principais. A técnica e a política”, explica Vanalli.

O trabalho técnico envolveu a atualização de projetos antigos — alguns parados desde 2010 — conforme as novas normas de engenharia. Paralelamente, a articulação política buscou a captação de recursos junto ao Governo do Estado. O reitor estima que a gestão deixará um legado sobre o total de projetos mapeados. 

“Em torno de 24 obras ao todo. Dessas, eu irei entregar prontas, retomadas, em torno de 4 ou 5. Mas todas elas estão já retomadas, seja na fase do projeto, seja na fase da licitação publicada ou da ordem de serviço concedida ou do canteiro de obras”, contabiliza.

Pragmatismo político e diplomacia institucional

Questionado sobre a postura histórica da universidade, que por vezes se posicionou como oposição aos governos instituídos, Vanalli defendeu que a reitoria precisa adotar uma linha diplomática e focada em resultados práticos para a sociedade.

“Reitor é um diplomata. Tem que conversar com todos. Tem que acreditar que todos estão com a universidade, que ela não tem inimigos. E com esse pressuposto, eu passei a caminhar, a buscar recursos, a reconstruir relações, independente de qualquer tipo de viés partidário. Uma gestão republicana, vou atrás daquilo que importa para a universidade. A UEM é o interesse”, afirma.

Segundo o reitor, essa estratégia resultou em maior volume de repasses financeiros e no fortalecimento institucional junto à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e à Secretaria de Saúde do Paraná. O reflexo direto aparece nos indicadores de excelência acadêmica. 

Atualmente, a UEM conta com 92% de seu corpo docente formado por doutores e mantém mais de 800 projetos de pesquisa e 700 de extensão. “Eu sempre falo que a UEM é um brinco, é com muito carinho, a UEM é um canhão. Quando apontamos para uma situação problema, uma questão que tem que ser resolvida, a UEM é sempre excelência”, avalia.

Redução de temporários e investimentos no HU

A gestão também enfrentou o desafio do preenchimento de vagas docentes. A falta de concursos públicos ao longo da última década gerou um volume expressivo de contratos por tempo determinado. Com o respaldo da Lei Geral das Universidades (LGU), a universidade acelerou os processos de reposição.

“A nossa quantidade de professores temporários tem diminuído nos últimos 3 anos. Hoje temos em torno de 60% do que tínhamos em 2022, diminuímos bastante. E ainda diminuiremos mais”, projeta o dirigente. Nos últimos dois anos, mais de 170 novos professores efetivos ingressaram na instituição através de concursos.

Outro pilar da prestação de serviços à comunidade é o Hospital Universitário (HU), responsável pelo atendimento de 1,5 milhão de habitantes da macrorregião. Vanalli detalhou os investimentos na unidade, que opera 100% via Sistema Único de Saúde (SUS). 

O HU saltou de 3 mil para 5 mil cirurgias anuais e realiza cerca de 70 mil atendimentos por ano. Entre as melhorias estruturais estão a conclusão do bloco industrial, as obras do centro de reabilitação física e mental, a retomada do centro cirúrgico e a aquisição de equipamentos de alta tecnologia, como uma nova ressonância magnética.

Combate à evasão nas licenciaturas

O cenário nacional de desinteresse pelas carreiras de licenciatura também repercutiu na UEM, gerando vagas ociosas em áreas como Física, Matemática e Filosofia. A resposta da administração foi focar na assistência e na garantia de permanência estudantil para atrair e reter os alunos.

A universidade ampliou o número de bolsas de permanência de 100 para quase 300 benefícios. Além disso, reestruturou o Restaurante Universitário (RU), promovendo melhorias no cardápio, climatização do ambiente e a abertura de novos turnos.

“Criamos o jantar. Criamos também o café da manhã. Aliás, o nosso restaurante universitário nunca teve tantos investimentos. Servíamos 600 refeições. Hoje estamos batendo quase 3 mil refeições diárias”, enumera o reitor. O subsídio governamental para a alimentação estudantil alcançou a marca de R$ 7 milhões.

Para Vanalli, a manutenção desses cursos é estratégica e indispensável para o Estado. “O Estado tem que continuar formando e bem professores em todas as áreas. Matemática, Física, Filosofia, Letra, Pedagogia. Independente, esses cursos têm que existir. Isso é apropriação de profissionais de excelência para a sociedade.”

Reta final e sucessão

Próximo do fim do mandato, que se encerra em outubro de 2026, o reitor avalia que o principal indicador de uma administração eficiente está na consolidação do fluxo de alunos. “Se o número de estudantes ingressantes aumentar, e o número de estudantes concluintes também aumentar, calouros e egressos. No final, eu sei que a minha gestão foi muito saudável, foi muito boa. E graças a Deus está acontecendo isso”, conclui.

Sobre o processo eleitoral que se aproxima para definir o próximo comando da reitoria, Vanalli manteve a postura institucional. “Reitor não tem candidato de estimação. E a gente vai trabalhar, sim, para algum candidato. Mas, no momento oportuno, de maneira republicana”, finaliza, reforçando que o foco permanece na transição e na continuidade dos projetos estruturantes da UEM.

Serviço

O episódio completo do podcast Ponto a Ponto com o reitor Leandro Vanalli está disponível no canal do Maringá Post no YouTube e nas principais plataformas de áudio. A produção é realizada em parceria com o VMark Estúdio.