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Sérgio Mendes defende produtor rural, cita Código Florestal e critica desinformação sobre o setor

Sérgio Mendes defende produtor rural, cita Código Florestal e critica desinformação sobre o setor

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Jornalista especializado em agronegócio detalha ao Ponto a Ponto como o produtor brasileiro preserva o meio ambiente sem subsídios e rebate rótulos sobre o uso de defensivos agrícolas: “O produtor é o maior interessado no rio limpo”.

A imagem do produtor rural como antagonista do meio ambiente é um dos rótulos que o jornalismo especializado busca desconstruir com dados e vivência de campo. Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, o jornalista Sérgio Mendes apresentou uma defesa técnica do modelo de sustentabilidade brasileiro. Para ele, o Brasil possui uma das legislações ambientais mais rigorosas do planeta, o que coloca o agricultor nacional em uma posição de preservador, muitas vezes sem o devido reconhecimento econômico ou social.

Sérgio Mendes destacou que a missão do jornalismo rural é “decodificar” o que ocorre dentro da porteira para o público urbano. “A nossa missão é mostrar o que acontece dentro da porteira de uma forma justa. Essa coisa do produtor ser poluidor… eu convido as pessoas para ir visitar uma propriedade com a gente, porque o produtor precisa do meio ambiente. Ele precisa da abelha para polinizar, do pássaro para polinizar e do rio limpo para poder usar a água”, pontuou.

O peso da reserva legal: Preservar sem receber

Um dos pontos centrais da argumentação de Mendes no episódio foi a comparação entre a legislação brasileira e a de outros grandes players mundiais. Ele enfatizou que, no Brasil, o Código Florestal exige que o proprietário rural mantenha áreas de preservação permanente e reserva legal (20% no caso do Paraná) exclusivamente com recursos próprios.

“O produtor deixa de produzir naquela área. Às vezes você pega uma área de 100 alqueires, 20 alqueires são de reserva legal que ele deixa de ter dinheiro ali. Ele preserva por obrigação, por lei, e não recebe nada por isso”, explicou Sérgio. Ele traçou um paralelo com outros países competidores, onde o Estado oferece subsídios ou adicionais financeiros para que o agricultor mantenha áreas de floresta. “Diferente de outros países, não existe legislação ambiental igual à nossa fora do Brasil; não tem esse negócio de reserva legal compulsória”, afirmou.

Agricultura de precisão: O fim do desperdício de defensivos

Outro tema recorrente nas críticas ao setor é o uso de agrotóxicos. Sérgio Mendes, utilizando sua experiência de décadas acompanhando a evolução das máquinas, esclareceu que o termo “agrodefensivo” é mais preciso, dado que o uso é estratégico e focado na saúde da planta. Segundo ele, o custo elevado desses produtos é o maior desincentivo ao uso indiscriminado.

“O veneno, como o pessoal fala, é muito caro para o cara soltar a torto e a direito. Hoje as máquinas agrícolas têm uma precisão tão grande, através da agricultura de precisão, que aquele bração que você vê pulverizando é programado para que um bico solte o defensivo apenas para aquela praga que está isolada no meio da lavoura”, detalhou o jornalista. Ele reforçou que episódios de deriva — quando o produto atinge áreas indesejadas — são exceções causadas por “maus agricultores”, que, embora sejam minoria, acabam rotulando injustamente todo o setor.

O Brasil como exemplo global

Para o casal de jornalistas, o Paraná é a “excelência da excelência” em preservação e autossustentabilidade. Sérgio relatou que, em suas viagens internacionais, percebe que muitos países desenvolvidos têm muito a aprender com o modelo paranaense de recuperação de solos e integração lavoura-pecuária.

“O Brasil é exemplo de preservação ambiental. A gente consegue aumentar a produtividade sem derrubar uma árvore, apenas recuperando pastagens degradadas”, afirmou. 

Para o convidado do Ponto a Ponto, a narrativa internacional muitas vezes tenta desqualificar a produção brasileira por interesses comerciais de países competidores. “O grande player de produção de alimentos é o Brasil. O que eles fazem lá fora? Começam a detonar do lado de lá para cá para a gente ser preterido, mas o Brasil segue se superando”, concluiu.

Serviço

A entrevista completa com Sérgio Mendes e Rose Machado, onde abordam também o futuro do agronegócio e as histórias de sua parceria de 30 anos, está disponível no canal do Maringá Post no YouTube.

Apresentação: Ronaldo Nezo
Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio