Mais de 20% dos candidatos de Maringá se declaram como empresários ou advogados no cadastro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com dados apurados pelo Maringá Post.
Entre os 39 candidatos de Maringá a deputado em 2026, quatro têm advocacia como ocupação declarada no cadastro eleitoral. São eles Homero Marchese, candidato a deputado federal pelo NOVO; Do Carmo, candidato a deputado estadual pelo Podemos; Flávio Mantovani, candidato a deputado estadual pelo PSD; e Ulisses Maia, também candidato a deputado estadual pelo PSD.
Outros quatro candidatos aparecem no cadastro com empresário como ocupação. São eles Luiz Nishimori, candidato a deputado federal pelo PSD; Edson Scabora, candidato a deputado federal pelo MDB; Lucas Canassa, candidato a deputado estadual pelo NOVO; e Evandro da Unifamma, candidato a deputado estadual pelo Republicanos.
Ao todo, são oito candidatos diferentes, o equivalente a 20,5% dos 39 nomes. Portanto, podemos dizer que um em cada cinco candidatos de Maringá a deputado é advogado ou empresário, considerando a ocupação declarada no cadastro eleitoral.
O número pode ser ainda maior ao considerar aqueles que constam como “vereadores”, mas advogam ou possuem alguma empresa.
A lógica acompanha a tendência nacional, onde as ocupações dos candidatos também estão entre as mais frequentes: 2.556 são empresários e 1.960 são advogados.
Congresso e o brasileiro
O sociólogo Joel Cavalcante afirma que os números refletem um Congresso que não possui representatividade brasileira. Dados do IBGE mostram que 51% da população é feminina, 55% negra e o rendimento salarial médio é de aproximadamente R$ 3.600.
“No estado do Paraná mesmo, temos apenas 10 deputadas mulheres num universo das 54 cadeiras da Alep. A maioria dos deputados são homens de meia idade, brancos, empresários e advogados. No congresso nacional tem o mesmo perfil, com uma maioria de homens, empresários, com destaque à bancada ruralista, que representa a maior bancada do congresso nacional.”
Advocacia e a história na política
Cavalcante também aponta o impacto da advocacia e do curso de Direito na política do país. O sociólogo afirma que o Direito foi um dos primeiros cursos a existir no Brasil, na época do Império, em 1827.
“Sérgio Buarque de Holanda, historiador e sociólogo brasileiro já mostrava a valorização dos títulos, diplomas, e a pouca valorização às profissões comuns, trabalhos braçais, denotando esse país de tradição bacharelesca.”
Em Maringá, a Faculdade de Direito surgiu antes da própria Universidade Estadual de Maringá (UEM). A universidade, em 1969, englobou o curso, juntamente com outras instituições estaduais.
Além dos candidatos citados, Sérgio Moro, que concorre ao governo do estado, também possui graduação em Direito e se formou pela UEM.
Por fim, Cavalcante afirma que existe o aumento de mulheres, negros e outras ocupações na política. No entanto, ele defende que a representatividade partidária na sociedade brasileira ainda é uma realidade distante.
















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