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Uso clínico de anabolizantes e hormônios resgata autonomia e força de pacientes na maturidade, afirma médico Eduardo Amado

Uso clínico de anabolizantes e hormônios resgata autonomia e força de pacientes na maturidade, afirma médico Eduardo Amado

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Maringá — O envelhecimento populacional e o avanço das doenças crônicas trazem para o centro do debate médico a urgência de preservar a capacidade funcional do indivíduo. Longe do apelo estético que domina as discussões em redes sociais e ambientes de academia, o uso terapêutico de hormônios e substâncias anabólicas consolida-se como uma ferramenta de resgate clínico para reverter a perda severa de massa muscular e devolver a independência a pacientes debilitados.

 

O diagnóstico de que a medicina precisa superar barreiras ideológicas e focar na evidência científica é do médico nefrologista Luiz Eduardo Bersani Amado, fundador da MedInfuse Maringá. Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, do jornal Maringá Post, o especialista detalhou como a correção hormonal precisa atua diretamente na reabilitação física de idosos e portadores de patologias complexas.

 

Com formação voltada ao tratamento de renais crônicos, Eduardo Amado aponta que o ecossistema das faculdades de medicina tradicionais frequentemente negligenciou o estudo aprofundado das propriedades terapêuticas dos anabolizantes devido ao histórico de uso clandestino e abusivo no esporte.

 

O especialista relata que a literatura científica de suporte à aplicação dessas substâncias é vasta e consolidada em cenários de extremo catabolismo — como em pacientes com HIV/Aids, indivíduos pós-transplante hepático ou crianças grandes queimadas.

 

“Nesse cenário do idoso com perda de massa muscular, com sarcodinapenia [perda simultânea de músculo e força], você tem a obrigatoriedade de fazer uso de anabólicos. E isso a medicina convencional de faculdade deixou meio de lado porque era muito relegado ao uso clandestino”, explica Amado. 

 

De acordo com o médico, especialidades como a ginecologia, a endocrinologia e a reumatologia passaram a intensificar essas prescrições ao notar que o isolamento do paciente apenas em protocolos de fisioterapia e dietas comuns apresentava resultados lentos e limitados na recuperação da musculatura esquelética.

 

O preço do déficit hormonal e da perda de massa magra se manifesta de forma drástica na rotina. Amado ilustra o impacto prático do tratamento citando o acompanhamento de um paciente idoso em tratamento dialítico que já não conseguia realizar tarefas básicas de autocuidado, como vestir a própria roupa devido à fraqueza extrema.

 

A investigação laboratorial revelou que o paciente apresentava um índice de 150 ng/dL de testosterona — o equivalente a um quarto do patamar considerado saudável para o perfil dele. “Como esse paciente vai ganhar massa muscular nesse cenário? Como ele vai ter disposição para fazer atividade física?”, questiona o médico.

 

Após a reposição e a intervenção com anabólicos em doses fisiológicas, o quadro clínico foi revertido. “Hoje ele está completamente autônomo, fazendo as coisas sozinho, vai ao supermercado. Nós fazemos os velhinhos andarem de novo”, brinca.

 

O especialista ressalta ainda que a carência de hormônios atua de forma silenciosa sobre a saúde mental, sendo frequentemente confundida com quadros depressivos puros. A falta de clareza cognitiva e o declínio do poder de decisão em pacientes de ambos os sexos muitas vezes encontram raiz em declínios hormonais subdiagnosticados.

 

Na visão do médico, o tratamento clínico assertivo e a suplementação — que envolve desde ativos injetáveis endovenosos ao uso de creatina e ômega 3 — funcionam como aceleradores biológicos indispensáveis para que o trabalho físico de musculação atinja eficácia total.

 

A entrevista com o médico Eduardo Amado sobre o uso terapêutico de hormônios, tratamento do lipedema e os novos rumos da medicina preventiva está disponível no YouTube. Assista ao episódio completo do podcast Ponto a Ponto no canal do Maringá Post.

 

https://www.youtube.com/watch?v=FyDpG_8nin8