SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Mais de cem pessoas deportadas dos Estados Unidos estavam em um hotel na cidade de La Guaira no momento em que dois terremotos atingiram a Venezuela na última quarta-feira (24), provocando o desabamento do edifício. Pelo menos 12 foram encontrados com vida, segundo o jornal El País.
Um voo de deportação partiu de Miami horas antes dos tremores, transportando 146 venezuelanos -entre eles 19 mulheres e sete crianças, segundo o ICE Flight Monitor, iniciativa da organização Human Rights First que monitora voos de deportação.
Ao desembarcar em Caracas, o grupo foi levado ao Hotel Santuário La Llanada, em La Guaira, uma das áreas mais afetadas pelos terremotos de magnitude 7,2 e 7,5. Não está claro quantas pessoas ainda estariam sob os escombros e quantas teriam conseguido sair.
Lisbeth Portillo, 58, estava em um quarto do segundo andar com outras pessoas deportadas quando os tremores começaram. Ela havia saído para a varanda para olhar o mar e notou o céu escurecido e um calor intenso. Ao voltar para o quarto e deitar na cama, sentiu tudo começar a sacudir.
“Comecei a ouvir ‘papa, papa, papapa’ e vi as mulheres ao meu lado caírem”, disse ela à agência Associated Press. “Todas gritavam por socorro.”
Logo em seguida (39 segundos depois, segundo os registros sismológicos) veio o segundo tremor. Portillo relata ter ficado soterrada sob uma viga, mas o balanço das réplicas deslocou os escombros e permitiu que ela saísse. Ela conta ter deixado o local com cerca de 20 outros deportados, percorrendo cinco quilômetros pelas ruas em busca de ajuda, passando por pessoas que corriam, algumas sem roupa e outras descalças.
Jenny Rodriguez, 24, que estava no mesmo voo, disse à rede Telemundo que ficou presa nos escombros até ser encontrada por um homem que também havia sido deportado com ela. “Consegui libertar minha mão dos destroços, agarrei-o pela calça e pedi socorro. Graças a Deus e a ele consegui sair de lá.”
O Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE) não publicou comentários sobre o voo de deportação.
A política de deportações em massa do governo Trump intensificou os voos para a Venezuela desde o início de 2025. O ICE Flight Monitor registrou 288 voos de deportação em maio, com destinos em 38 países. Os voos para a Venezuela operavam três vezes por semana, totalizando 12 no mês.
Ao desembarcar, segundo relatos, os deportados passaram por triagem médica, receberam documentos de identificação e foram informados de que seriam levados às suas cidades de origem no dia seguinte -o que os manteve no hotel durante os tremores.
Um vídeo publicado pelo regime venezuelano na quarta-feira pouco antes do terremoto mostra deportados sendo recebidos por autoridades venezuelanas ao chegarem ao aeroporto de Caracas.
Os terremotos deixaram, segundo autoridades venezuelanas, ao menos 1.719 mortos, além de 5.034 feridos e 15.866 desalojados. As informações foram transmitidas pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, nome forte do chavismo e irmão da líder interina do país, Delcy Rodríguez, ao divulgar o boletim oficial mais recente sobre a tragédia.
As Nações Unidas estimam que até 50 mil pessoas ainda possam estar desaparecidas, o que indica que o número de vítimas deve aumentar à medida que as equipes de resgate avançam com as operações.
O balanço oficial mais recente aponta ainda que pelo menos 855 edifícios sofreram danos, sobretudo no estado de La Guaira e em Caracas. Desse total, ao menos 189 desabaram.
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