Destaques do Dia Maringa

Protagonismo feminino: Rose Machado destaca a ascensão das mulheres na gestão das propriedades rurais

Protagonismo feminino: Rose Machado destaca a ascensão das mulheres na gestão das propriedades rurais

Tempo de leitura: 2 min

Jornalista relata ao Ponto a Ponto como as mulheres deixaram os bastidores para liderar decisões estratégicas, profissionalizar a administração e garantir a sucessão familiar no campo.

A face do agronegócio paranaense mudou drasticamente nas últimas três décadas, e uma das transformações mais profundas ocorreu na linha de frente da gestão. Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, a jornalista Rose Machado — referência no setor há 30 anos — analisou a transição da mulher rural: de uma figura quase “invisível” nas propriedades para o posto de liderança estratégica e administrativa.

Rose relembra que, no início de sua trajetória, o cenário era de exclusão. “Antigamente a gente ia na propriedade e a mulher nem aparecia, ela ficava lá escondida. Hoje a gente vê que a mulher faz parte do empreendimento, ela decide o que vai fazer e muitas estão na frente da propriedade rural”, destacou a jornalista. Segundo ela, essa mudança não foi apenas de ocupação de espaço, mas de qualidade na gestão.

O olhar feminino na administração rural

Para a convidada do Ponto a Ponto, a entrada definitiva das mulheres na administração trouxe um rigor financeiro e organizacional que o setor carecia. Rose observa que as mulheres passaram a dominar áreas críticas, como a manipulação de planilhas de custos e a participação em cursos técnicos de gestão, muitos oferecidos por entidades como o Senar e as cooperativas.

“Antigamente se fazia curso de alimento, hoje também faz, mas a mulher também faz curso de administração, de participação política e de planilhas de custos”, pontuou. Rose destaca que essa capacitação técnica permitiu que a mulher assumisse a retaguarda — e muitas vezes a vanguarda — dos negócios, garantindo que a propriedade fosse tratada, de fato, como uma empresa.

O elo da sucessão familiar

Um ponto fundamental levantado por Rose Machado é o papel da mulher como a grande articuladora da sucessão familiar. Ela explica que a sensibilidade feminina foi o motor para reaproximar os filhos do campo, evitando que as famílias se fragmentassem com a migração para as cidades.

“O que a mãe passou a ver? ‘Olha, nós estamos ficando velhos, nós precisamos de alguém para ajudar nós. Os filhos estão longe, a gente precisa trazer os filhos para perto’”, relatou Rose. Para ela, esse movimento de “trazer de volta” foi liderado pelas mulheres, que enxergaram na profissionalização do campo a oportunidade de manter a família unida. “Hoje a gente vê essa revolução no campo, casas sendo construídas porque mora o pai e mora os filhos em volta, trabalha todo mundo junto e o neto está perto”, completou.

Engajamento e credibilidade

Rose também compartilhou uma percepção das cooperativas e federações sobre a força do engajamento feminino. Segundo ela, as instituições notaram que, quando as mulheres participam das reuniões e treinamentos, o nível de comprometimento da família com as metas da propriedade aumenta significativamente.

“Eles perceberam que a mulher era um maior engajamento. Se o casal falar que na próxima reunião vai estar presente, eles vão estar lá”, afirmou Rose. Essa presença ativa consolidou a mulher não apenas como uma ajudante, mas como uma voz de autoridade que pauta o futuro do agronegócio no estado.

Serviço

A entrevista completa com Rose Machado e Sérgio Mendes, onde exploram a história do jornalismo rural e os desafios da carreira em casal, está disponível no canal do Maringá Post no YouTube.

Apresentação: Ronaldo Nezo
Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio