O aumento visível no número de pessoas em situação de vulnerabilidade ocupando espaços públicos divide opiniões e desafia as políticas de segurança e assistência social nos grandes centros urbanos. Em Maringá, a abordagem desse cenário exige uma diferenciação técnica rigorosa entre aqueles que necessitam de amparo social e indivíduos que utilizam as ruas como esconderijo para atividades ilícitas.
Para debater o enfrentamento desse problema, o podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, recebeu o secretário municipal de Segurança Pública e delegado de Polícia Civil, Luiz Alves. Em entrevista ao jornalista Ronaldo Nezo, o secretário detalhou os critérios das abordagens preventivas e defendeu a criação de uma força-tarefa multidisciplinar para lidar com a dependência química e cortar os ciclos de delinquência na cidade.
O secretário apresentou dados estatísticos que justificam a necessidade de vistorias constantes nas vias públicas. Segundo Alves, as ações intensificadas da Guarda Civil Municipal revelaram um volume expressivo de procurados pela Justiça infiltrados entre a população flutuante das praças e bosques.
Enquanto em 2024 foram cumpridos 17 mandados de prisão nas ruas de Maringá, o índice saltou para 119 em 2025 — um crescimento de 600%. “Desses 119 mandados de prisão, 90% são mandados cumpridos na rua de pessoas que supostamente estariam nessa situação de vulnerabilidade. Mas, na verdade, são pessoas foragidas da Justiça que ficam ali, sem documento, sem nada, dificultando, além de dificultar a ação policial, a ação da Justiça, causando outra série de problemas e, muitas vezes, marginalizando outras pessoas que estão naquela mesma condição”, revela o delegado.
A falta de identificação voluntária é apontada como um dos principais entraves no cotidiano dos agentes. “Várias dessas pessoas andam sem documento para evitar ser identificada e a gente descobrir que ela está com um mandado de prisão pendente, por exemplo, como aconteceu várias vezes”, aponta o gestor, lembrando que falsear o nome ou omitir a identidade constitui infração legal e motiva a condução imediata à delegacia.
Questionado sobre as barreiras ideológicas e as compreensões divergentes de órgãos fiscalizadores a respeito das vistorias nas ruas, Luiz Alves argumentou que o direito de ir e vir não pode se sobrepor à ordem e à tranquilidade do cidadão de bem. O secretário defendeu as ações firmes, sob o critério técnico da fundada suspeita.
“Morar na rua é crime? Não. Muitas vezes é uma opção. O direito de ir e vir, a gente pode andar na rua, ficar à vontade. Quando esse direito passa a ser nocivo? Quando você começa a atrapalhar o direito dos outros… O nosso direito termina quando começa o do outro. Isso é para todo mundo”, assevera o delegado.
Alves relatou o impacto das condutas antissociais e do comércio ambulante de entorpecentes no cotidiano dos moradores e comerciantes locais, reforçando a postura de tolerância zero contra a criminalidade. “O patrulhamento é feito nas ruas da cidade, ostensivamente. É uma polícia ostensiva. Nas praças, nos parques, nos bosques. Essa é a função. E ali, você está para cuidar do patrimônio e tudo. Concorda comigo que o tráfico de droga degrada o patrimônio público? Coloca em risco a ordem pública… Então você tem que combater o quê? O tráfico de droga no local público”, defende.
Após a triagem policial para o recolhimento dos criminosos, o secretário ressaltou que a parcela genuinamente vulnerável e dependente precisa de intervenções que fogem à competência da segurança pública. Diante disso, Alves confirmou que encaminhou uma proposta estrutural ao prefeito Silvio Barros para unificar os serviços municipais.
“Eu até sugeri ao prefeito Silvio Barros, isso vai ser discutido, de criar uma força-tarefa para que a gente coordene essa força-tarefa, e aí sim, mas com um aparato estrutural completo. Saúde, assistência social, uma ambulância, médico, etc.”, explica o gestor.
O objetivo do projeto é conferir resolutividade integral ao atendimento na linha de frente. “Ela é completa. Não é uma abordagem, tirou o criminoso, deixou o restante. Não. Tirou o criminoso, quem precisa de atendimento médico, quem precisa de moradia, alimentação, quem precisa de uma passagem… A pessoa precisa ser tratada, profissionalizada e adentrar no mercado de trabalho”, conclui o secretário, destacando a ampla oferta de cursos e vagas de emprego no município.
O episódio completo do podcast Ponto a Ponto com o delegado Luiz Alves, no qual ele aborda a implantação da Muralha Digital, a eficácia da Patrulha Maria da Penha e os investimentos na Guarda Civil Municipal, está disponível no canal do Maringá Post no YouTube e nas plataformas de áudio.
Apresentação: Ronaldo Nezo
Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio
















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