O Brasil deverá ganhar, a partir de 2028, a primeira fábrica do mundo dedicada à produção em escala industrial de curativos feitos com pele de tilápia para tratamento de queimaduras.
A unidade será instalada em Jaguaribara, no Ceará, município que é um dos principais polos de produção de tilápia do Estado.
A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e vem sendo estudada há cerca de uma década.
A ideia é simples: transformar a pele do peixe, que normalmente seria descartada, em um material capaz de proteger a área queimada e ajudar no processo de cicatrização.
Antes de ser utilizada, a pele passa por processos de limpeza, esterilização e preparação. Depois, é transformada em um curativo biológico.
Nos casos indicados, principalmente queimaduras de segundo grau, o material é colocado diretamente sobre a lesão.
Uma das principais vantagens é que a pele de tilápia adere à região queimada e pode permanecer no local por vários dias, diminuindo a necessidade de trocas frequentes.
Isso pode representar menos dor para o paciente, já que a troca de curativos é uma das etapas mais desconfortáveis do tratamento.
Estudos realizados no Brasil também apontam potencial para acelerar a cicatrização e reduzir o custo do atendimento.
A tecnologia já foi utilizada em centenas de pacientes queimados durante as pesquisas.
A nova fábrica terá investimento inicial estimado em R$ 52 milhões. A previsão é começar produzindo cerca de 4,3 mil curativos por dia, podendo chegar a aproximadamente 12 mil unidades diárias.
Além de atender pacientes brasileiros, a produção poderá abrir espaço para exportações.
O projeto também aproveita uma matéria-prima abundante no país e dá uma nova utilização a um material que seria descartado pela indústria pesqueira.
Para o sistema de saúde, a expectativa é de redução dos gastos com tratamentos convencionais, especialmente pela menor necessidade de trocas dos curativos.
A produção, porém, ainda dependerá das etapas de validação e das exigências sanitárias para que o produto possa ser comercializado.
A pele de tilápia, portanto, deixa de ser apenas um resíduo da indústria do peixe e passa a representar uma alternativa brasileira para um dos tratamentos mais dolorosos da medicina: o cuidado de pessoas vítimas de queimaduras.
















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