Pelo menos 7,5 mil agentes de segurança pública participarão nesta quarta-feira (2) de uma capacitação nacional voltada ao atendimento de mulheres vítimas de violência. A ação será realizada simultaneamente nas 27 capitais e em 81 cidades do interior do país.
O treinamento faz parte do chamado Dia C de Capacitação – Atendimento, Proteção e Perspectiva de Gênero na Segurança Pública. A proposta é preparar melhor os profissionais que estão entre os primeiros a receber uma mulher vítima de agressão, ameaça ou violência sexual.
Participarão policiais civis, militares e penais, bombeiros, guardas municipais e profissionais das perícias oficiais. Segundo a Secretaria Nacional de Segurança Pública, outros 2 mil agentes já passaram pelo curso nos últimos três anos.
A capacitação terá transmissão simultânea e pretende reforçar não apenas os procedimentos de segurança, mas também a forma como a vítima é recebida e encaminhada para os serviços de proteção.
A preocupação é evitar que mulheres que procuram ajuda encontrem atendimento inadequado, informações desencontradas ou dificuldades para acessar outros serviços públicos.
Protocolo nacional
Além do treinamento, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério das Mulheres anunciaram a criação de um grupo de trabalho para elaborar um protocolo nacional de atendimento a mulheres vítimas de violência sexual.
A intenção é estabelecer uma referência para as delegacias de todo o país, tornando os procedimentos mais uniformes e melhorando a articulação com serviços de saúde e demais órgãos da rede de proteção.
Também foram estabelecidas regras para análise e aprovação dos planos estaduais e do plano distrital de combate à violência contra a mulher.
Números ainda preocupam
Mesmo com a redução registrada neste ano, a violência contra a mulher continua sendo um dos principais desafios da segurança pública.
Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil registrou 848 vítimas de feminicídio, contra 876 no mesmo período de 2025. A queda foi de 3,2%.
A capacitação, portanto, busca atuar em uma etapa fundamental: o momento em que a mulher decide procurar o Estado. A expectativa é que policiais e demais agentes estejam mais preparados para ouvir, proteger, orientar e encaminhar cada caso.
A iniciativa também pretende aproximar segurança pública, saúde e assistência, criando uma rede de atendimento mais organizada para as vítimas.
















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