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Transformar lembranças em arte e criar, literalmente, um pedacinho de Maringá para levar para casa. Foi com esse propósito que Gabriel Chuecos Rocha e Leandro Ceron Basso decidiram criar o projeto Essenciais de Maringá, uma coleção de miniaturas artesanais que representa alguns dos principais monumentos da cidade.
Muito mais do que objetos decorativos, as peças carregam histórias, afetos e a proposta de fortalecer a conexão das pessoas com a cidade onde vivem. A ideia nasceu de algo bastante pessoal: o hábito que o casal já tinha de colecionar miniaturas durante viagens.
“Eu e o Leandro somos colecionadores de miniaturas. Toda vez que a gente viaja para algum lugar, sempre procura trazer alguma miniatura que represente aquele local. Tem gente que gosta de tirar fotos, de guardar ímãs ou chaveiros, e a gente gosta de trazer um pedacinho daquele lugar”, conta Gabriel.
Segundo ele, cada peça representa uma memória importante.
“Para nós, isso é muito afetivo, porque a miniatura lembra o momento em que estávamos naquele lugar, o que vivemos ali, o que estávamos sentindo naquele momento.”
Foi justamente essa relação emocional que fez surgir uma pergunta simples, mas poderosa: por que não existia uma miniatura de Maringá?
“A gente tinha miniaturas de tantos lugares, mas não tinha da nossa própria cidade. Procurávamos em feiras, lojas e eventos e nunca encontrávamos. Foi aí que sentimos essa necessidade e resolvemos desenvolver o projeto”, afirma Gabriel.

Do zero: aprendendo impressão 3D para criar algo único
Apesar da ideia clara, o caminho até o produto final exigiu muito estudo, tentativa e aperfeiçoamento. Gabriel explica que ele e Leandro não trabalhavam anteriormente com impressão 3D e que tudo começou praticamente do zero.
“Quando decidimos fazer as miniaturas, a gente ainda não sabia qual material usar. Pensamos em argila, pensamos em gesso, mas percebemos que isso não traria o nível de detalhe que queríamos.”
Como colecionadores, eles sabiam exatamente o padrão de qualidade que buscavam.
“A gente queria acabamento, riqueza de detalhes e uma peça que realmente tivesse valor visual. Então fui atrás de entender como funcionava a impressão 3D em resina.”
O projeto começou a ser desenvolvido em maio de 2025. Gabriel fez cursos, estudou softwares de modelagem e aproveitou até conteúdos da própria faculdade de Publicidade e Propaganda, onde cursava uma disciplina de ilustração.
“Fiquei cerca de dois meses estudando até conseguir desenvolver o primeiro desenho, que foi a Catedral. Quando apresentei para o Leandro e vimos que aquilo realmente poderia dar certo, aí decidimos investir na impressora”, comenta.
Enquanto Gabriel se aprofundava na parte técnica, design e impressão, Leandro — que é professor de Artes Visuais — assumiu o processo manual de acabamento, pintura e escolha das cores.
“Enquanto eu fui atrás da parte de tecnologia, o Leandro foi se aprimorar no acabamento e na pintura. Cada um encontrou sua função dentro do projeto.”
A Catedral foi a primeira — e a mais desafiadora

Desde o início, o casal já sabia qual seria a primeira miniatura: a Catedral de Maringá.
“A gente tinha em mente que a primeira precisava ser a Catedral, porque ela é o maior símbolo da cidade e também a peça mais complexa. Eu pensei: se eu conseguir desenvolver a Catedral, consigo desenvolver as outras.”
Depois dela vieram o Parque do Ingá, o Peladão e o Terminal Urbano, formando a primeira coleção do projeto: o Essenciais de Maringá – Volume 1.
Cada uma dessas peças foi escolhida por carregar um significado pessoal.
“A gente pensou muito no afeto. O que eu gostaria de ter na minha estante? O que eu gostaria de ganhar? A Catedral e o Peladão têm uma conexão muito forte comigo, e o Terminal e o Parque do Ingá têm muito significado para o Leandro.”
Processo artesanal e peças únicas

Apesar do uso da impressão 3D em resina, Gabriel faz questão de destacar que o trabalho é totalmente artesanal. Tudo começa com visitas presenciais aos monumentos, onde eles tiram fotos, fazem observações e criam esboços manuais.
“Primeiro a gente vai até o local, tira várias fotos e depois eu faço um desenho no papel, pensando em como aquela miniatura vai ser representada”, ressalta.
Depois vem a modelagem digital, a impressão e, por fim, o processo mais demorado: acabamento e pintura.
“A peça é lixada, recebe acabamento, passa por duas ou três mãos de pintura e depois recebe detalhes finais para brilho e destaque. Tudo é manual.”
O tempo médio de produção varia entre sete e dez horas por peça. “O Parque do Ingá demora cerca de três horas e meia de pintura, o Peladão três horas e o Terminal chega a cinco horas só de pintura. Então não é uma produção em grande escala”, diz.
A peça mais complexa atualmente é justamente o Terminal Urbano. “Ela exige mais tempo de impressão e muito mais cuidado na pintura, porque tem muitos detalhes minuciosos que dificultam até o alcance do pincel”, complementa.
De projeto afetivo a negócio com grande aceitação
Inicialmente, a proposta não nasceu com foco comercial. “Quando tivemos a ideia, foi muito mais por um apelo afetivo. A gente queria ter essas peças para nós.”
Mas conforme o projeto foi sendo desenvolvido, o potencial de negócio começou a aparecer. O lançamento estava previsto para novembro de 2025, aproveitando o período de fim de ano, mas foi adiado para abril de 2026.
“A gente percebeu que ainda não estava no nível que queríamos. Não queríamos lançar algo pela metade. Queríamos entregar uma coleção à altura que Maringá merece.”
A decisão foi acertada. A recepção superou todas as expectativas. “Honestamente, a gente não imaginava a visibilidade que isso teria. Foi uma surpresa muito positiva.”
Segundo Gabriel, o mais surpreendente foi perceber que os próprios moradores de Maringá se tornaram os principais compradores. “A gente achava que seriam mais turistas, pessoas que já moraram aqui. Mas a maioria são maringaenses mesmo. Isso surpreendeu muito.”
Redes sociais foram fundamentais
Grande parte desse crescimento aconteceu por meio do Instagram. “Basicamente, hoje tudo acontece pelas redes sociais. Nós estamos só nelas por enquanto.”
Como o casal já compartilhava viagens e miniaturas no perfil pessoal, muitos seguidores já conheciam esse gosto em comum.
“Quando divulgamos o projeto, tivemos muito apoio das pessoas que já nos acompanhavam. Amigos compartilharam bastante e isso ajudou a estourar a bolha.”
O lançamento foi feito de forma estratégica, apresentando uma peça por vez e criando expectativa.
“Foi uma ação muito bacana e teve um retorno muito positivo.”
“Esse projeto tem a cara de vocês”
Entre tantos feedbacks recebidos, um deles marcou especialmente Gabriel e Leandro. “Algumas pessoas disseram que esse projeto tem a nossa cara. Isso foi muito forte para nós.”
Segundo ele, ouvir que ninguém imaginaria outra pessoa realizando esse projeto trouxe uma sensação de pertencimento muito especial. “Foi bonito porque sentimos que realmente nos encontramos nisso. É algo que compartilhamos juntos, no pessoal e no profissional.”
Além disso, as entregas feitas pessoalmente também criam momentos emocionantes. “Quando entregamos a peça, muitas pessoas contam histórias sobre aquele lugar, sobre memórias que viveram ali. Isso mostra que não é só uma miniatura. É uma peça afetiva.”
Cultura local e turismo
Além da proposta comercial, o projeto também nasceu com uma intenção cultural e turística.
“A gente pensou muito no turista que vem para Maringá. Muitas vezes não existe uma peça que represente a cidade e que a pessoa possa levar na palma da mão.”
Para Gabriel, as miniaturas ajudam a valorizar monumentos que, muitas vezes, passam despercebidos no cotidiano.
“Esses lugares fazem parte da nossa história, mas às vezes as novas gerações não têm a mesma conexão com eles. A miniatura ajuda a resgatar esse valor.”
Ele acredita que o projeto faz tanto o morador quanto o visitante olharem para a cidade de uma forma diferente.
Volume 2 já está a caminho
Com o sucesso da primeira coleção, o casal já trabalha no Essenciais de Maringá – Volume 2.
“A gente já está no processo de escolher quais peças serão viáveis para essa segunda coleção.”
As sugestões do público também estão sendo levadas em consideração. “Muitas pessoas mandaram ideias de lugares importantes para elas. Estamos ouvindo tudo isso.”
Mas spoilers ainda não serão revelados. “Não posso contar ainda quais serão as próximas peças (risos), mas sim, uma nova coleção será lançada em breve.”

E o futuro?
No entanto, hoje, o projeto ainda não é a principal fonte de renda do casal. “Tanto eu quanto o Leandro temos nossos trabalhos regulares. Fazemos tudo isso à noite e nos finais de semana.”
Mas o objetivo é claro: transformar esse sonho em algo ainda maior. “Estamos nos dedicando há cerca de um ano para que isso se torne nossa principal fonte de renda. Esse é o nosso objetivo.”
Peças personalizadas também podem surgir futuramente, assim como coleções de outras cidades, mas por enquanto o foco permanece em Maringá. “Neste momento, nossa dedicação está totalmente voltada para Maringá. Queremos apresentar primeiro o Essenciais de Maringá da forma que ele merece.”
O conselho para quem quer empreender
Ao falar sobre criatividade e inovação, Gabriel resume o principal aprendizado da trajetória.
“O mais importante é encontrar algo com que você tenha afinidade e que realmente faça sentido para você.”
E deixa um conselho direto:
“É pensar fora da caixa, mas principalmente colocar sua própria personalidade no projeto e não tentar copiar ninguém.”
Para ele, foi justamente isso que fez a diferença.
“Acredito que o fato de não termos tentado copiar ninguém e de termos construído algo com a nossa identidade foi o que tornou o projeto especial.”
No fim, talvez seja exatamente isso que torna essas miniaturas tão valiosas: elas não representam apenas monumentos. Representam histórias, memórias, pertencimento e, principalmente, representam um pedacinho de Maringá na estante — e no coração — de cada pessoa.
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