O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou nesta segunda-feira, 29, que as medidas de concessão de crédito e redução de juros lançadas pelo governo este ano tenham o potencial de estimular a economia e aumentar a inflação, como alertou o Banco Central na última semana. “O debate brasileiro muitas vezes, como é, procura-se respostas fáceis para questões difíceis; você fica achando álibis para tentar responder questões que não são corretamente respondidas dessa forma”, disse o ministro, no lançamento do Desenrola Adimplentes.
A avaliação do ministro diverge da apresentada pelo Banco Central. Na última quinta-feira, no Relatório de Política Monetária (RPM), a autarquia alertou que ações fiscais e de crédito do governo são um risco para cima à inflação, o que contribuiu para um balanço com assimetria altista.
“Essas medidas, de caráter fiscal ou de crédito, passam a ser consideradas no cenário de referência apenas quando recentemente aprovadas. Mas, mesmo nesse caso, permanecem incertezas relevantes acerca da magnitude de seu impacto sobre a atividade econômica e a inflação, dadas as especificidades e detalhes envolvendo cada política”, disse o BC.
Durigan argumentou que, ao viabilizar linhas de crédito com juros menores – por exemplo, para renegociação de dívidas no caso do próprio Desenrola, ou para aquisição de carros para motoristas de aplicativos no Move Brasil -, o governo apenas “melhora a situação de uma pessoa”.
“As medidas que nós temos adotado melhoram a vida das pessoas, atendem pontualmente os setores, mas não criam distorções ou desbalanços do ponto de vista macroeconômico, em especial atrapalhando a política monetária”, afirmou o ministro.
Ele acrescentou, ainda, que as medidas voltadas a controlar os preços de combustíveis ajudaram o BC no trabalho de controlar a inflação.
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