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Superproteção familiar cria barreiras para a maturidade dos filhos, alerta educador

Superproteção familiar cria barreiras para a maturidade dos filhos, alerta educador

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Maringá — A busca incessante das famílias por blindar os filhos de frustrações e falhas está gerando um efeito colateral preocupante na formação dos jovens: o atraso no desenvolvimento da maturidade. O diagnóstico, fruto de quatro décadas de observação diária no ambiente escolar, é do professor Antonio Leonel, o Toninho, diretor-geral do Colégio Platão de Maringá.

 

De acordo com o educador, a configuração das relações familiares passou por uma mudança drástica nas últimas décadas. Se no passado os adolescentes desfrutavam de maior independência para se locomover e resolver conflitos cotidianos, a geração atual cresce sob uma vigilância constante e uma superproteção que sufoca a capacidade de lidar com riscos.

 

Para o especialista, o comportamento contemporâneo dos pais é movido por uma insegurança profunda e pelo medo de falhar na criação dos filhos. Essa ansiedade se converte em uma postura defensiva, na qual a família frequentemente tenta transferir para a escola a culpa por qualquer dificuldade acadêmica ou comportamental do estudante.

 

“Muitos pais vivem uma insegurança muito grande de que o erro não é mais permitido. Já ouvi de pais dizendo para mim: ‘meu filho não mente, meu filho não errou’. Isso não é bom. O erro faz parte do aprendizado”, avalia Leonel.

 

Essa postura se reflete diretamente na gestão escolar. Tornou-se frequente o recebimento de queixas familiares contra sanções disciplinares corriqueiras ou avaliações rígidas. Ao intervir para poupar o adolescente das consequências de seus atos, os pais acabam por enfraquecer a autoridade dos professores. “De alguma maneira, isso desautoriza o trabalho da escola. Dá porta para dentro, nós sabemos o que estamos fazendo porque somos profissionais”, afirma o diretor.

 

O preço da superproteção se manifesta na ausência de repertório prático. O diretor faz um paralelo entre as dinâmicas geracionais e lembra que tarefas simples de autonomia — como andar de transporte público, ir à padaria ou resolver um problema na secretaria da escola — foram suprimidas da rotina dos adolescentes atuais.

 

Ao serem poupados dos pequenos testes de independência, os jovens ingressam na vida adulta sem as ferramentas psicológicas necessárias para o enfrentamento de crises. O reflexo desse isolamento em uma “bolha” familiar se estende para além do Ensino Médio, atingindo a universidade e os processos de seleção corporativa.

 

A incapacidade de assumir as rédeas da própria trajetória é apontada pelo educador como a raiz do sumiço da proatividade na juventude. “Como é que você forma um indivíduo autônomo se você não concede a ele a chance de correr riscos? Viver é correr riscos. A escola precisa criar dinâmicas e práticas pedagógicas para permitir esse envolvimento e gerar maturação”, conclui Leonel.

https://www.youtube.com/watch?v=042M89tmbVE

A conversa sobre o comportamento das famílias, a autonomia dos jovens e os novos rumos da educação básica está disponível no Youtube. Assista ao episódio completo do podcast Ponto a Ponto no canal do Maringá Post.