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Entenda o que é um ciclone-bomba

Chuva incomum e ciclone atingem o Brasil: veja estados mais afetados

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um ciclone-bomba pode se formar na região Sul do Brasil nesta quinta-feira (6) e causar ventos de até 100 km/h.

A Defesa Civil do estado de São Paulo instalou um gabinete de crise para monitorar o fenômeno e seus efeitos.

O gabinete deve funcionar até sábado (8). Segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas), além dos fortes ventos, o ciclone-bomba -caracterizado por ventos intensos e aproximação do continente- deve trazer chuvas moderadas na sexta (7) e no fim de semana.

As rajadas devem começar nesta quinta, com previsão de alerta laranja.

MAS O QUE É UM CICLONE-BOMBA?

O cientista Micael Cecchini, professor do Instituto Astronômico e Geofísico da USP, explica que ciclone é um sistema meteorológico em larga escala, com centenas ou milhares de quilômetros de extensão, que tem como característica uma rotação no mesmo sentido da rotação da Terra.

Isso significa que, no hemisfério sul, esses sistemas giram no sentido horário quando observados de cima, enquanto no hemisfério norte giram no sentido anti-horário. “Qualquer sistema que gire dessa forma é chamado de ciclone”, explica.

Existem diferentes tipos de ciclone, segundo o professor. Os ciclones tropicais acontecem nos trópicos e podem originar os furacões.

Furacão e tufão, por sua vez, são termos para o mesmo fenômeno. A diferença está apenas na região onde ocorrem. O termo tufão é usado para os eventos que ocorrem na região do Japão e do Pacífico noroeste, enquanto furacão é o nome mais utilizado para os eventos do Atlântico, diz Cecchini.

Já os ciclones extratropicais acontecem em latitudes mais altas, enquanto os subtropicais se formam entre as regiões tropicais e extratropicais.

Os dois tipos surgem do encontro entre o ar quente e o frio. Essa diferença de temperatura cria ventos fortes nas camadas mais altas da atmosfera, o que reduz a pressão do ar perto do chão e dá origem ao fenômeno, explica o cientista.

Ele diz que o que diferencia um ciclone comum de um ciclone-bomba é a intensidade desse fenômeno.

Se a diferença de temperatura entre essas massas for mais drástica, essa corrente de ar em altos níveis será ainda mais forte, fazendo com que a pressão na superfície diminua de forma mais rápida.

Para definir um ciclone-bomba extratropical, a comunidade científica convencionou que é preciso haver uma queda de 24 milibares (medida de pressão atmosférica) em 24 horas.

“Na prática, quando se fala em ciclone-bomba, isso indica que uma massa de ar muito mais fria está avançando por baixo de uma massa de ar muito mais quente. Essa situação gera tempestades mais intensas na interface entre essas massas de ar, porque o ar frio, por ser mais denso, empurra o ar quente para cima”, explica o professor.

Essa subida do ar quente favorece a formação de nuvens e tempestades.

Quanto mais frio for o ar frio e mais quente for o ar quente, mais intenso tende a ser esse processo, aumentando a ocorrência de tempestades severas, com granizo.

Depois da passagem do sistema, ocorre uma queda muito rápida das temperaturas.

O sistema não é um fenômeno comum, diz o professor. Por isso, tem uma definição específica. “Essa classificação serve justamente para identificar eventos que exigem atenção especial”, diz.

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