Feridas que não cicatrizam, dificuldade para engolir e sensação de algo preso na garganta podem parecer sintomas simples do dia a dia, mas também podem ser sintomas do câncer bucal, doença que na maioria das vezes é diagnosticada já em estágio avançado. E no Dia Nacional de Combate ao Câncer Bucal, celebrado em 31 de maio, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra cerca de 15 mil novos casos desse tipo de câncer por ano, sendo a maior incidência entre homens acima dos 40 anos. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 530 mil novos casos da doença sejam diagnosticados anualmente em todo o mundo.
O Dr. Augusto Abrahao, otorrinolaringologista e cirurgião de cabeça e pescoço, membro da ABORL-CCF, explica que o câncer bucal, também conhecido como câncer de boca, afeta regiões como lábios, língua, gengiva, céu da boca, bochechas e cavidade oral e, em muitos casos, os primeiros sinais surgem de forma silenciosa e acabam ignorados pelos pacientes. “Esse câncer pode começar com pequenas alterações, como manchas esbranquiçadas na mucosa oral e aftas que não cicatrizam. O fato é que quanto mais precoce o diagnóstico, maior é chance de cura e menores os impactos na qualidade de vida”, comenta, ao revelar que muitos pacientes só procuram ajuda quando começam a sentir dor intensa ou dificuldade importante para falar e engolir. “O ideal é investigar qualquer alteração persistente na boca ou garganta o quanto antes.”
Principais causas
O especialista afirma que o tabagismo; o consumo em excesso de bebidas alcoólicas; a infecção pelo HPV; a exposição solar sem proteção nos lábios; a má higiene bucal; a alimentação pobre em frutas e vegetais e o histórico familiar estão entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer bucal. “O cigarro e o álcool continuam sendo os principais fatores de risco, principalmente quando associados. Além disso, a infecção pelo HPV tem aumentado a incidência de tumores na região”, relata, ao comentar que grande parte dos casos pode ser evitada com simples mudanças de hábitos e cuidados preventivos, como, além de não fumar e beber em excesso, vacinar-se contra o HPV; manter uma alimentação equilibrada e utilizar protetor labial com filtro solar. “Sem dúvida a prevenção é a melhor estratégia. Consultas regulares ao dentista e ao otorrinolaringologista ajudam na identificação precoce de lesões suspeitas, aumentando significativamente as chances de cura.”
Tratamento
De acordo com o Dr. Abrahao, o tratamento depende do estágio da doença e pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou terapias combinadas. Ele ressalta que o diagnóstico precoce é a principal ferramenta para a redução de mortes e sequelas provocadas pelo câncer bucal. “Ao perceber qualquer alteração persistente na boca ou na garganta, deve-se procurar um médico imediatamente, pois o diagnóstico precoce permite um tratamento com índice de sucesso muito maior e com menos sequelas ao paciente”, atesta.
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