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França aposta em Zidane, mas escolhas por ídolos nem sempre funcionaram

França aposta em Zidane, mas escolhas por ídolos nem sempre funcionaram

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A França anunciou Zinédine Zidane como seu novo técnico. A Federação Francesa de Futebol tenta repetir uma fórmula que deu certo com o antecessor, Didier Deschamps: apostar em um ídolo para comandar a seleção.

Zidane entra para a lista de ídolos do futebol que treinaram ao menos uma seleção. Antes de assumir a França, ele só teve experiência como técnico no Real Madrid e levou o clube a três títulos da Champions League.

Mas a combinação ídolo-seleção nem sempre dá resultado. Paulo Roberto Falcão foi um exemplo no Brasil. Após se aposentar como jogador, ele assumiu o posto em 1990 e ficou praticamente um ano no cargo, sendo desligado logo após o vice na Copa América de 1991 -a Argentina foi campeã.

Dunga foi outro exemplo no Brasil. O tetracampeão até conquistou a Copa América e a Copa das Confederações em sua primeira passagem (2006-2010), mas ela terminou com a queda para a Holanda nas quartas de final da Copa de 2010. Na segunda oportunidade (2014-2016), a seleção foi eliminada nas quartas da Copa América de 2015 e, no ano seguinte, não passou da fase de grupos na mesma competição.

A Itália tem um exemplo recente. Gattuso assumiu a seleção com a missão de levá-la à Copa após duas ausências consecutivas. Não conseguiu. Os italianos caíram na repescagem e chegaram ao terceiro vexame consecutivo.

Nem “Dios” teve sucesso. Maradona assumiu o comando da Argentina em 2008 e classificou a seleção para Copa. No Mundial, a Albiceleste se despediu nas quartas de final após perder por 4 a 0 para a Alemanha. A derrota pôs fim à passagem dele no cargo.

Marco van Basten é um exemplo na Holanda. Entre 2004 e 2008, ele somou 35 vitórias no comando da seleção, mas acabou eliminado cedo nas principais competições: caiu nas oitavas de final da Copa de 2006 e nas quartas Eurocopa de 2008.

OUTROS CASOS DERAM CERTO

Zagallo é um dos maiores exemplos neste sentido. Campeão mundial como jogador, ele levou a seleção brasileira ao título da Copa do Mundo de 1970, se tornando um dos únicos a levantar a taça como jogador e como técnico.

Franz Beckenbauer é mais um que brilhou como jogador e treinador da Alemanha. Técnico da seleção entre 1984 e 1990, ele levou o país ao título da Copa de 1990 e se juntou a Zagallo entre os campeões como atleta e treinador.

O exemplo mais recente vem da própria França, com Deschamps. O antecessor de Zidane ficou 14 anos no cargo (2012-2026) e, durante o período, montou a geração que conquistou a Copa do Mundo de 2022. Em 2026, no entanto, deixou o cargo após ficar apenas no quarto lugar. Assim como Zagallo e Beckenbauer, levantou a taça do Mundial como treinador e jogador.

MISSÕES PARA ZIDANE

Zidane chega à França cercada por uma crise. Em sua saída, Didier Deschamps disse que deixou o posto porque o ambiente era “irrespirável”.

A goleada por 6 a 4 para Inglaterra na disputa pelo terceiro lugar da Copa também deixou suas marcas. Após o jogo, o meio-campista Rabiot, um dos mais experientes do time, afirmou que viu “atitudes inaceitáveis” de companheiros, mas não citou nomes.

“Entramos no primeiro tempo de uma forma bastante vergonhosa. Vi o comportamento de alguns jogadores que eu nunca tinha visto antes. É um pouco decepcionante. Há muita decepção após a derrota para a Espanha, mas havia um trabalho a ser feito até o fim e não podemos simplesmente estragar as coisas assim. Conversamos no intervalo, dissemos um ao outro que precisávamos de um pouco de orgulho, e foi muito melhor no segundo tempo, porque no primeiro tempo, certos comportamentos eram inaceitáveis”, disse Rabiot, na zona mista.

Um dos nomes polêmicos foi Cherki. A imprensa francesa deu destaque a comportamentos “displicentes” do jogador do Manchester City durante os jogos que disputou na Copa. Ainda segundo veículos locais, ele seria o motivo do desabafo de Rabiot.

A postura de Mbappé é sempre um assunto levantado. Ele chegou, inclusive, a ser apelidado de “ditador” por causa de supostas atitudes. Deschamps sempre blindou o astro, que assumiu a faixa de capitão após a aposentadoria de Lloris na seleção.

Zidane deve manter boa parte da seleção que disputou a Copa do Mundo. Os principais nomes do elenco ainda têm entre 20 e 30 anos e devem chegar à próxima edição do Mundial. Entre eles estão astros como Mbappé, Dembélé e Olise.

Os primeiros compromissos serão entre o final de setembro e o começo de outubro. A França vai enfrentar Turquia (25/9), Bélgica (28/9), Itália (2/10) e Bélgica (5/10), pelas quatro primeiras rodadas da Liga das Nações.

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