Uma tecnologia inovadora e nunca antes testada no Brasil passou a integrar a rotina de tratamento oncológico na rede pública de saúde do Paraná. O Hospital do Câncer de Londrina e o Hospital São Vicente, em Guarapuava, implantaram a ferramenta “Capricórnio”, desenvolvida pelo Google Cloud. O sistema utiliza inteligência artificial para acelerar a identificação de terapias personalizadas contra o câncer.
Criada em parceria com o Princess Máxima Center, da Holanda — maior centro de oncologia pediátrica da Europa —, a plataforma cruza dados clínicos e genéticos dos pacientes com mais de 35 milhões de artigos científicos globais. O impacto na agilidade do diagnóstico é direto: análises de literatura médica que antes demoravam cerca de uma semana agora são concluídas em até uma hora.
Como funciona na prática
A ferramenta atua como um suporte à decisão médica, sem substituir o profissional. O sistema processa em minutos o histórico do paciente, mutações genéticas e respostas a medicamentos anteriores, cruzando essas informações de forma semântica (por contexto, e não apenas por palavras-chave) com o banco de dados biomédicos PubMed.
Com o relatório em mãos, equipes multidisciplinares — que reúnem oncologistas, radioterapeutas e cirurgiões — conseguem definir a conduta mais assertiva de maneira célere. De acordo com os hospitais, a precisão dos dados sólidos ajuda a diminuir o tempo de internação e reduz os riscos de complicações nos pacientes.
Casos complexos e o “segundo cérebro”
Em Londrina, a IA já fundamentou decisões de tratamento de pacientes como Ana Beatriz Carvalho, de 42 anos, que trata um tumor neuroendócrino e teve lesões hepáticas removidas com base em evidências ágeis trazidas pela plataforma.
Já em Guarapuava, o sistema ajudou a nortear o tratamento de um paciente com câncer de origem desconhecida e múltiplas metástases. A IA identificou um padrão de instabilidade genômica, sinalizando aos médicos a necessidade de um painel genético focado, o que abre caminho para o uso futuro de imunoterapia no Sistema Único de Saúde (SUS). O oncologista Nelson Morozini definiu a tecnologia como um “segundo cérebro” nas reuniões médicas.
Expansão e Segurança de Dados
O Paraná é o estado pioneiro na aplicação da ferramenta, que faz parte do programa Transforma IA, coordenado pela Secretaria da Inovação, Modernização e Transformação Digital (SEIA) em parceria com a Celepar.
Por lidar com prontuários de saúde, a tecnologia segue protocolos rigorosos de governança e atua apenas com dados anonimizados, cumprindo as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O Governo do Estado já estuda, junto à Secretaria da Saúde (Sesa), os critérios para expandir a usabilidade da plataforma para outras unidades hospitalares do Paraná.















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