Jornalista especializado em agronegócio relata experiência em território israelense, onde a escassez extrema de água e solo gerou tecnologias de gotejamento e dessalinização que hoje servem de modelo global.
A escassez como motor da inovação é a principal lição que o agronegócio brasileiro pode extrair de Israel. Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, o jornalista Sérgio Mendes compartilhou detalhes de sua expedição técnica ao território israelense, um país com apenas 10% do tamanho do Paraná e onde 60% da área é composta por deserto, mas que, ainda assim, consolidou-se como o maior exportador de frutas e legumes para a Europa.
Sérgio descreveu ao apresentador Ronaldo Nezo o impacto de ver a vida brotar em condições improváveis. “Eu fiz uma reportagem que eu pego uma areia do deserto, levanto assim, e do lado de onde eu estou segurando a areia, tem a produção de pimentão desse tamanho”, relatou. Para o jornalista, o segredo dessa produtividade não está na terra, mas na precisão absoluta da tecnologia aplicada.
A gota d’água com endereço certo
O ponto central da tecnologia israelense é a gestão cirúrgica dos recursos hídricos. Diferente do Brasil, onde a fartura de água muitas vezes mascara desperdícios, em Israel cada gota é monitorada por sensores. Sérgio explicou que a irrigação não é feita para a terra, mas diretamente para a planta.
“A água cai naquele pé que está pedindo, na hora que ele precisa e com o nutriente que ele precisa. Cada bico tem um sensor para irrigar. Se cair na terra, a terra chupa a água; então a irrigação é focada na planta, por isso que tem areia em volta”, detalhou Mendes. Essa eficiência permite que, mesmo em um ambiente hostil, a planta receba exatamente o que é necessário para atingir o máximo de seu potencial genético.
Reuso e dessalinização: O ciclo da sobrevivência
A reportagem explorou também a infraestrutura hídrica que sustenta o país. Sérgio destacou que Israel não se dá ao luxo de descartar recursos. “O que para eles lá, eles pegam os esgotos de Tel Aviv e de Jerusalém, tratam com usinas de tratamento de água, e essa água que sai do esgoto volta para a irrigação. Ela não é potável, mas volta para o campo”, explicou.
Enquanto a água de reuso irriga as plantações, o abastecimento humano depende de uma solução tecnológica robusta voltada para o Mediterrâneo. “A água potável, os caras tiram do mar, dessalinizam ela para colocar para a turma beber. São sete usinas que tem na costa de Israel”, afirmou Sérgio, traçando um paralelo sobre a importância de o Brasil — e o Paraná — valorizar suas bacias hidrográficas para evitar chegar a cenários de escassez tão drásticos.
O “incômodo” do potencial brasileiro
Ao comparar a realidade israelense com a brasileira, Sérgio Mendes enfatizou que o potencial de crescimento do Brasil é o que incomoda os competidores internacionais. Ele destacou que, se o Brasil aplicar a mesma mentalidade de recuperação e eficiência em áreas já degradadas, a produção poderia quase duplicar sem a necessidade de novas áreas de cultivo.
“Nós temos um potencial de crescimento que incomoda aos outros países, que são competidores do Brasil na produção de alimentos para o mundo. O Brasil é o grande player, e a gente fica muito tranquilo quando viaja e vê que eles têm que vir aprender com a gente hoje”, concluiu, reforçando que a vivência internacional só confirma a excelência técnica que o produtor paranaense já atingiu.
Serviço
A entrevista completa com Sérgio Mendes e Rose Machado, abordando viagens à Europa, Estados Unidos e as lições de 30 anos no jornalismo rural, está disponível no canal do Maringá Post no YouTube.
Apresentação: Ronaldo Nezo
Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio
















Adicionar Comentário