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Latam prevê menor crescimento de oferta no Brasil no 3º trimestre com efeito da guerra

Latam prevê menor crescimento de oferta no Brasil no 3º trimestre com efeito da guerra

PAULO RICARDO MARTINS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Latam prevê uma redução de 3 pontos percentuais na capacidade no terceiro trimestre deste ano, em relação ao que estava previsto pela empresa.

O CEO da companhia aérea, Jerome Cadier, diz à reportagem que, apesar da redução na projeção, a Latam Brasil deve registrar crescimento de 8% no período, na comparação com o terceiro trimestre de 2025.

“A gente continua crescendo versus ano passado em torno de 8%. É um crescimento significativo, mas a gente estava se programando para crescer 11%”, afirma.

Segundo Cadier, ainda que os EUA e o Irã chegassem a um acordo e a guerra tivesse fim, os preços do QAV (combustível de aviação) continuariam elevados pelos próximos 6 a 12 meses, sem retornar ao patamar de 2025.

A solução, por ora, é fazer ajustes nos preços das passagens e na oferta. Cadier afirma que não houve corte de rotas ou destinos, mas sim redução na frequência de alguns trajetos, incluindo a ponte aérea entre Rio e São Paulo.
“Você não consegue tirar um navio de um lugar para o outro em questão de dias e você também não consegue reconstruir eventualmente a infraestrutura de refino e de extração de petróleo que foram destruídas. Eu acho que vai demorar um tempo.”

A Latam havia dito, no começo de maio, que a empresa registrou um impacto de US$ 40 milhões (R$ 200 milhões) no primeiro trimestre deste ano por causa da guerra no Irã.

O conflito fez a empresa rever projeções para uma série de indicadores. Antes, a aérea previa um preço de US$ 90 por barril de petróleo. Agora, a empresa projeta que esse patamar suba para US$ 170 no segundo e no terceiro trimestres de 2026 e para US$ 150 no final do ano.

Em dezembro, a Latam projetava que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançaria uma margem entre US$ 4,2 bilhões e US$ 4,6 bilhões em 2026. Na revisão de maio, essa faixa caiu para entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões.

A alavancagem líquida ajustada (relação entre dívida e Ebitda) estava prevista para fechar 2026 em ou abaixo de 1,4x, com uma liquidez superior a US$ 5 bilhões. A Latam divulgou depois uma projeção de alavancagem abaixo ou igual a 1,8x e uma liquidez maior ou igual a US$ 4,5 bilhões.
ESCALA 6X1

Cadier disse à reportagem que está otimista com as discussões sobre a PEC (proposta de emenda à Constituição) que prevê o fim da escala 6×1 no país.

Em entrevista a jornalistas em maio, o CEO da Latam, Jerome Cadier, havia dito que, se a proposta pelo fim da escala 6×1 passasse da forma como estava, a companhia sofreria impactos na operação internacional. A preocupação era o impacto da proposta na jornada de trabalho de aeronautas, categoria que engloba pilotos e comissários de bordo.

Posteriormente, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, se reuniu com Cadier na sede da pasta, em Brasília, para discutir o tema. Segundo o MTE, os aeronautas (pilotos se encaixam em escalas especiais previstas na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), em leis específicas. O ministério afirmou, em nota publicada em seu site, que a categoria atua sob as especificidades da lei 13.475, que dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave.

“A gente não é contra isso, mas tem uma particularidade da operação de tripulantes na companhia aérea os que voam, que precisam estar refletidas na lei”, diz Cadier à reportagem. “Eu tô otimista que essa transformação e eliminação do 6×1 vai respeitar alguns limites específicos.”

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