Policia

Viatura enguiçada, burocracia e sistema obsoleto: secretário detalha gargalos estruturais na segurança de Maringá

Maringá Post

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A eficiência da segurança pública nos municípios depende diretamente da agilidade administrativa e da qualidade do suporte material oferecido aos agentes. Em Maringá, no entanto, a consolidação das novas estratégias operacionais enfrenta o desafio de superar um histórico de obsolescência tecnológica, frotas sucateadas e entraves burocráticos que atrasam a chegada de novos investimentos.

 

Para detalhar o panorama estrutural do setor, o podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, recebeu o secretário municipal de Segurança Pública e delegado de Polícia Civil, Luiz Alves. Em conversa com o jornalista Ronaldo Nezo, o gestor apresentou um diagnóstico crítico sobre as condições em que o aparato municipal foi recebido, apontou falhas em contratos herdados da administração passada e explicou como a lentidão dos trâmites estatais impacta o policiamento urbano.

 

Ao assumir o comando da secretaria na gestão do prefeito Silvio Barros, Luiz Alves deparou-se com um cenário de severa desestruturação operacional. Segundo o secretário, a falta de pessoal e o desgaste das viaturas limitavam a capacidade de pronta-resposta da Guarda Civil Municipal na cidade.

 

“Um ambiente com viaturas enguiçadas, viaturas totalmente defasadas, que não fornecia o adequado aparelhamento aos profissionais que precisavam exercer aquela função, a falta mesmo de viatura, a falta de pessoal”, relata o delegado.

 

A gravidade da situação interna foi resumida pelo secretário por meio de uma analogia com o sistema de saúde. “O aparelho de segurança do município está obsoleto, eu costumo [dizer] que a gente está praticamente respirando por aparelhos, estamos começando a desligar os aparelhos, mas ainda estamos na UTI, em estado grave, porque a gente precisa, logicamente, estruturar”, avalia o gestor, destacando que a cidade necessitaria de uma frota cinco vezes maior para oferecer o suporte ideal.

 

Um dos principais alvos de crítica do secretário foi a situação do sistema de monitoramento eletrônico da cidade. Alves explicou que as ferramentas tecnológicas adquiridas anteriormente foram entregues sem a devida cobertura de suporte técnico, o que comprometeu o funcionamento dos equipamentos e resultou na subutilização da estrutura.

 

“A gente está com um sistema, ele foi adquirido pelo município na gestão passada, compraram, todavia a solução veio sem manutenção. E quando você compra sistema eletrônico técnico sem manutenção, o que acontece? Ele fica obsoleto e você não tem como resolver o problema, e é isso que tem acontecido”, aponta o delegado.

 

O secretário comparou o modelo anterior ao uso de “um canhão parado e trabalhando com um estalinho”. Para evitar a interrupção do serviço, a atual pasta coordena estudos técnicos para abrir um novo processo de contratação regular, além de adotar medidas emergenciais de manutenção preventiva. Atualmente, a gestão conseguiu otimizar os recursos existentes para ativar a chamada Muralha Digital no monitoramento de placas e reconhecimento facial.

Além dos problemas herdados, o secretário destacou que a rigidez e a lentidão dos processos administrativos no país constituem um obstáculo para a modernização rápida da segurança local. Como exemplo prático, ele citou a demora na liberação de 13 viaturas viabilizadas por emendas parlamentares do deputado federal Delegado Jacovós.

 

“Está quase um ano tramitando no Estado, tramitando pra gente receber esses veículos. Está empenhado, mas demora, é um trâmite. Então a gente tem uma previsão de receber, desde o ano passado que foi iniciado o processo, e não se finalizou, tem mais 20 viaturas pra gente receber, que não chegam por conta de excesso de burocracia”, critica Alves.

 

Para o secretário, o modelo administrativo brasileiro compromete a agilidade das polícias. “A gente tem que trabalhar também pra acabar, eliminar esse excesso burocrático, pra gente poder acessar os mecanismos. O Estado brasileiro é muito demorado. Ele é pesado demais”, conclui.

 

O episódio completo do podcast Ponto a Ponto com o delegado Luiz Alves, no qual ele aborda o balanço de prisões na cidade, as ações da Patrulha Maria da Penha e o debate sobre o poder de polícia das guardas municipais, está disponível no canal do Maringá Post no YouTube e nas plataformas de áudio.

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio