Um vídeo de câmeras de segurança mostra o início do linchamento que terminou com a morte de Claudio Rafael Landeiro, de 37 anos, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Acusado injustamente de roubar uma bicicleta, ele foi perseguido e espancado por cerca de nove minutos, segundo a investigação. O laudo pericial aponta que a vítima recebeu 63 pauladas.
As novas imagens exibidas no último domingo (23), pelo Fantástico ajudam a reconstituir a sequência dos acontecimentos. Segundo a irmã, Fabiana, Claudio era uma pessoa tranquila, afetuosa e alegre, além de muito protetor com a família.
Quatro pessoas foram presas por participação no crime: os seguranças David Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias e os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva. De acordo com a polícia, David agrediu Claudio com um pedaço de pau, enquanto Felipe e Ailton participaram das agressões com socos e chutes.
Como começou
Claudio saiu de casa de bicicleta e foi até uma loja de conveniência. Segundo um funcionário, ele entrou apenas para pedir um cigarro avulso e deixou o estabelecimento sem causar problemas.
Depois, um segurança passou a questioná-lo sobre a bicicleta. Claudio teria respondido que ela não era dele. A família acredita que ele talvez não tenha conseguido explicar que o veículo pertencia à irmã.
A bicicleta foi fotografada, enquanto os seguranças trocavam informações sobre um possível furto e acionavam outras pessoas. Imagens mostram Claudio conversando normalmente, apertando a mão de um dos seguranças e mantendo a calma.
A perseguição continuou até uma escadaria, onde ele se sentou. Entregadores passaram a chamá-lo de ladrão e registraram vídeos. Na sequência, começou o linchamento.
Segundo o delegado Ângelo Lages, Claudio sofreu agressões durante quase nove minutos, incluindo golpes na cabeça. Depois, permaneceu no local aguardando socorro por cerca de 30 minutos. Ele foi levado pelo Corpo de Bombeiros, mas morreu.
Quatro presos
Os dois seguranças e Felipe confessaram participação, enquanto Ailton permaneceu em silêncio. Imagens de monitoramento auxiliaram a investigação.
A família demorou alguns dias para registrar a ocorrência porque aguardava a certidão de óbito.
Para Fabiana, o caso não pode ser esquecido. Ela afirma que acompanhará o processo até o fim e rejeita qualquer tentativa de justiça pelas próprias mãos. O delegado reforça que apenas as forças de segurança podem atuar na segurança pública e que todos têm direito ao devido processo legal.
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