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Houthis, apoiados pelo Irã, atacam cidades na Arábia Saudita e ferem mais de 70

Houthis, apoiados pelo Irã, atacam cidades na Arábia Saudita e ferem mais de 70

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os houthis, grupo rebelde do Iemên apoiado pelo Irã, atacaram quatro cidades no sul da Arábia Saudita, ferindo mais de 70 pessoas e incendiando instalações petrolíferas, em uma expansão do conflito no Oriente Médio.

Os rebeldes, que controlam a maior parte das áreas povoadas do Iêmen, incluindo a capital, Sanaa, afirmaram ter lançado uma ampla operação em território saudita.

O grupo usou drones e mísseis para atingir uma base aérea saudita na cidade de Khamis Mushait, no sul do país, e alvos pertencentes à estatal petrolífera do país em Abha, Najran, na fronteira com o Iêmen, e Jazan, importante cidade portuária do mar Vermelho que abriga uma grande refinaria e uma usina de energia.

Imagens de satélite da Nasa mostraram uma densa nuvem de fumaça preta sobre a refinaria de Jazan e uma coluna de fumaça branca subindo de um centro de distribuição de petróleo em Abha.

As autoridades sauditas descreveram incêndios nos locais atingidos e informaram que mulheres e crianças estavam entre os feridos.

Os relatos sugerem que os ataques estiveram entre os maiores realizados contra a Arábia Saudita desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irã, em fevereiro.

Segundo a agência Reuters, ainda não há imagens confirmadas do local das consequências dos ataques às cidades sauditas e não foi possível contatar testemunhas em um país onde a imprensa é rigidamente controlada.

As fotos divulgadas pelos houthis de explosões do que alegaram serem caminhões sauditas atingidos em ataques separados na fronteira, em outra área, são de segunda-feira (7).

Os rebeldes iemenitas disseram à AFP que a Arábia Saudita respondeu, nesta terça-feira (8), com bombardeios, em sinal de escalada do conflito que que pode levar tensão ao estreito de Bab al-Mandeb, no mar Vermelho -outro gargalo marítimo da região, assim como o estreito de Hormuz, que pode levar instabilidade aos mercados globais.

Os houthis não controlam propriamente o estreito, mas dominam partes importantes da costa iemenita próximas da via marítima, o que dá ao grupo poder de fogo em área ampla no entorno do estreito, principalmente no mar Vermelho. Os rebeldes tentam avançar em áreas costeiras mais próximas do estreito, que são controladas por grupos contrários a eles e apoiados pelos sauditas.

Mais de 500 pessoas morreram desde que os rebeldes houthis lançaram uma ofensiva na semana passada para avançar em direção a essas outras áreas costeiras, segundo uma contagem da AFP baseada em fontes de ambos os lados

Com Hormuz fechado pelo Irã, parte importante da produção saudita em direção à Ásia precisa do fluxo aberto em Bab el-Mandeb, daí a relevância do gargalo marítimo para Riad.

A Organização Internacional para as Migrações informou que mais de 18.500 pessoas fugiram de suas casas devido aos combates ao longo da costa oeste do Iêmen nos últimos três dias.

“A coalizão tomará todas as medidas operacionais necessárias para deter essa milícia terrorista e confrontará resolutamente sua abordagem hostil”, disse Turki al-Malki, porta-voz da coalizão liderada pela Arábia Saudita, em um comunicado divulgado pelo X.

O porta-voz dos houthis, Yahya Saree, acusou Riad de ter intensificado a guerra ao lançar ataques aéreos contra o Iêmen e afirmou que os houthis responderão.

Após um mês de calmaria em agosto, os combates no golfo Pérsico recomeçaram, com o Irã e os EUA trocando ataques, o que fez com que os preços globais do petróleo se aproximassem do patamar de US$ 100 por barril, ultrapassado no auge da guerra.

Os ataques dos houthis no sudoeste da Arábia Saudita têm o potencial de agravar o impacto econômico global da guerra, interrompendo o fornecimento de energia do Oriente Médio além do bloqueado estreito de Hormuz, em meio a embate entre o Irã e os EUA.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou após os ataques que a ofensiva houthi tem “mãos iranianas” por trás. A União Europeia pediu aos rebeldes que colocassem fim aos bombardeios.

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