(FOLHAPRESS) – O Ministério do Comércio da China afirmou que o Brasil atingiu, no sábado (9), a marca de 50% das cotas impostas por Pequim neste ano como medida de salvaguarda.
Membros do setor privado, porém, afirmam que o número é superior, levando em consideração a carga já embarcada que ainda não chegou aos portos chineses. Com isso, é possível que o Brasil atinja o limite antes de agosto.
No final de dezembro, Pequim impôs uma medida de salvaguarda determinando que países que ultrapassassem a cota estabelecida pelo país asiático para a carne bovina seriam taxados em 55%.
O Brasil será taxado caso exceda 1,1 milhão de toneladas em 2026. Para se ter uma ideia, a China respondeu por 48% do volume exportado em 2025, com 1,68 milhão de toneladas e US$ 8,9 bilhões. O segundo destino, os EUA, registrou 271,8 mil toneladas e US$ 1,64 bilhão.
A determinação, vigente desde janeiro, terá duração de três anos.
A questão é uma das mais sensíveis para o governo no que diz respeito ao setor, uma vez que o país é o principal destino da carne bovina brasileira. O entrave levou o Brasil a tentar negociar saídas, como a redistribuição das cotas remanescentes de outros países, o que foi negado pelo regime chinês.
Agora, o governo mira outros mercados para tentar reduzir as perdas. O principal alvo são os Estados Unidos, que não têm condições de abastecer o mercado interno sem importações, diante da forte demanda e da redução do rebanho local.
Ainda assim, a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) afirma que nenhum destino é capaz de suprir o vácuo deixado pela China.
A entidade projeta queda de cerca de 10% nas exportações de carne bovina brasileira em 2026 devido às medidas de salvaguarda chinesas.
A perspectiva de recuo contrasta com a produção recorde de 2025, de 11,1 milhões de toneladas, alta de 7,2% em relação a 2024, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O desempenho, que alçou o Brasil à condição de maior produtor e exportador de carne bovina do mundo, é ameaçado pelas incertezas geradas pela medida chinesa, que pode levar ainda à redução do rebanho brasileiro caso os frigoríficos não consigam realocar a produção.
















Adicionar Comentário