A Agência Espacial Australiana informou que conseguiu identificar a provável origem das seis esferas metálicas encontradas na praia de Forrest Beach, no estado de Queensland, na Austrália.
Segundo a BBC, o alerta foi emitido no domingo (5), após os objetos aparecerem na areia. As autoridades isolaram uma área de 50 metros ao redor das esferas para impedir a aproximação do público, já que elas foram classificadas inicialmente como “objetos potencialmente perigosos”.
Uma das primeiras hipóteses era a de que as peças fossem tanques de combustível usados em foguetes. Por isso, o perímetro de segurança foi adotado diante da possibilidade de ainda haver resíduos de substâncias inflamáveis ou altamente reativas.
Na segunda-feira (6), a Agência Espacial Australiana afirmou ter identificado a “origem provável” dos objetos.
“A localização e as características dos objetos são consistentes com detritos de um foguete estrangeiro que reentrou recentemente na atmosfera vindo da órbita da Terra”, informou a agência em comunicado.
Milhões de satélites ameaçam a observação do céu
Um estudo divulgado no início do mês alerta para as possíveis “consequências devastadoras para a astronomia” da colocação de mais de 1,7 milhão de novos satélites na órbita terrestre. Entre eles estão equipamentos extremamente brilhantes planejados por empresas privadas.
A pesquisa foi conduzida por um astrônomo do Observatório Europeu do Sul. Segundo a organização, o trabalho é o primeiro a calcular a extensão do impacto de grandes constelações de satélites brilhantes nas observações astronômicas.
O aumento desses objetos em órbita pode tornar o céu noturno mais luminoso e prejudicar a observação, por telescópios, de galáxias distantes, planetas fora do Sistema Solar semelhantes à Terra e asteroides potencialmente perigosos.
O Observatório Europeu do Sul, do qual Portugal é membro, também destaca que a poluição luminosa causada por constelações de satélites muito brilhantes pode afetar a saúde e o funcionamento da vida na Terra, ao interferir em relógios biológicos e ecossistemas.
Outro ponto de preocupação é o impacto ambiental. Grandes constelações de satélites exigem numerosos lançamentos para serem colocadas e mantidas em órbita. Além disso, a reentrada desses equipamentos na atmosfera, ao fim da vida útil, pode gerar poluição.
Atualmente, há mais de 14 mil satélites ativos orbitando a Terra. O número sobe para 32 mil quando são incluídos satélites inativos ou restos desses equipamentos.
O estudo, assinado pelo astrônomo belga Olivier Hainaut, afirma que a SpaceX, empresa de Elon Musk, pretende lançar 1 milhão de novos satélites destinados a atender centros de dados no espaço. Segundo o pesquisador, essa expansão pode alterar significativamente a aparência do céu.
Pelos cálculos de Hainaut, centenas e, em alguns momentos, milhares desses satélites poderão ser vistos no céu noturno, em quantidade semelhante à de estrelas visíveis a olho nu em boas condições de observação.
Outra empresa citada no estudo, a norte-americana Reflect Orbital, pretende lançar 50 mil satélites até 2035. Os equipamentos foram projetados para refletir a luz do Sol em direção à Terra durante a noite, com feixes capazes de alcançar pelo menos cinco quilômetros da superfície.
Hainaut estima que, quando completa, essa constelação será a mais brilhante já colocada em órbita e fará com que centenas de satélites muito luminosos sejam visíveis a olho nu.
Visto a partir do feixe de luz refletido, cada satélite poderá ser quatro vezes mais brilhante do que a Lua cheia. Mesmo quando não apontarem diretamente para um telescópio, os satélites poderão ter brilho semelhante ao de Vênus.
O estudo, que será publicado na revista científica Astronomy & Astrophysics, aponta que, em uma cidade com poluição luminosa como Munique, na Alemanha, centenas desses satélites poderão se tornar as únicas “estrelas” visíveis no céu noturno.
De forma geral, o céu noturno ficaria de três a quatro vezes mais luminoso com a constelação completa de 50 mil satélites da Reflect Orbital.
“Satélites iluminados pelo Sol são muito mais brilhantes do que galáxias distantes. Quando um satélite atravessa o que observamos, deixa um traço brilhante na imagem, alterando o que está por trás”, afirmou Hainaut.
Para medir o impacto dessas constelações nas observações astronômicas, o pesquisador simulou posições, movimentos e brilho de satélites atuais e futuros, com base em observações feitas pelos telescópios VLT, do Observatório Europeu do Sul, e Vera C. Rubin, ambos no Chile.
Segundo o autor, para preservar a observação do céu noturno com telescópios modernos, a órbita terrestre não deveria ter mais de 100 mil satélites com baixa luminosidade, abaixo do limite de visibilidade a olho nu.
















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